Saturday, March 28, 2009

Mas

É o mesmo sítio e as paredes guardam os nossos segredos, todos os gestos inférteis durante tanto tempo. Sim, quase tornaste tudo inútil pela tua fraqueza. Ou pela tua luxúria, também, que importa? Não te distinguiste da multidão o suficiente e não te basta a minha fé de que és um outro tipo de barco sem rumo. Lamento.
É o mesmo chão, tantas vezes pisado; oiço-te e oiço-me, oiço o que nunca dissemos; oiço o tempo que já não temos. Ecos de uma fé romântica, mas a janela tem aprisionada a minha saudade e agora está trancada. É o mesmo sítio , até os mesmos pregos e os mesmos buracos. Mas nos já não somos os mesmos, o som mais alto é o lugar vazio deixado por ti.
E tudo o resto e silencio duro e profundo. Porque é o mesmo sítio mas os teus olhos são só os teus olhos , apesar de toda a minha saudade , aparentemente banhada por uma indiferença dourada.