Sunday, August 31, 2008

Protecção

O ritual é isto , fazermos parte da escuridão e do silencio. Abrir a pele romper a veia e injectar o sangue com o veneno . E ou sobrevivemos e somos quase invencíveis ou morremos. Se a primeira não acontecer a segunda acontece sempre, nem que seja no sonho metaforizado e sombrio.
Ele sabia que tinha medo da hipótese do fracasso mas a duvida ganhava espaço no peito e inibia a respiração. Preparou-se para o ritual durante noite sombrias , noites em que a tradição caiu e os lobisomens não precisaram da lua cheia para o assassínio; dias que pareciam noites porque eram eternos e estéreis. E, quando finalmente chegou o dia, fê-lo de uma só vez: tudo terminou rapidamente. Descobriu que receava ainda mais ser um cobarde vivo e pateticamente feliz.
Não é tão feliz como os outros que o rodeiam, não tem a vida fácil e barata dos outros, os que o rodeiam. Mas tem um lugar onde pertence - ele próprio - e um lugar que o acolhe. Tem no sangue o veneno, não os teme a Eles, na verdade, limita-se a esperar pacificamente pela morte. Está vivo e protegido pela escuridão e pelo silêncio.