Friday, August 01, 2008

Liberdade

O ideal da vida é a quantidade de amor que se dedica à morte. Apreciar o fim é admitir que o principio só foi importante para a glória do meio, da existência, da juventude presente na conjugação do verbo amar no presente do indicativo.
E escrevo-te por isso, por amares hoje e apenas hoje. Consciencializas os pretéritos, sonhas e indagas o futuro, mas a tua palavra esta no presente. Afundas as tristezas como apagas o cigarro: com um gesto metódico, automático, mas nunca vazio. Para ti o acto tem de ser feito - apagar o cigarro, esquecer o rancor do passado, sentir o mundo inteiro na pele – e isso basta-te. Não se questiona o que nunca é dúbio e o relógio não sente compaixão da tua dor ou da tua alegria .
Vives por conta própria, sabes que todos os países te guardam uma cama e uma rua com calcário diferente para pisares. Guardas o sonho junto ao coração, debaixo da pele e isso nunca te roubam , esse sonho desfocado que te faz resistir à tentação de ser como eles.