Sunday, July 06, 2008

Solidão

O caminho que conduz o aprendiz ao rio é oposto ao que o guia ate à guitarra. Na verdade, o rio azul e a guitarra magnética nada têm em comum, não coexistem, obrigatoriamente. Apenas na mente do aprendiz eles são uma mesma coisa; são pernas, braços, pedaços perfeitos da unidade imperfeita e perdida.
Porém, o amor limita os olhos e , ás vezes, os olhos envelhecem-se de mais. O rio e a música tem muito em comum: são cíclicos, são belos, são eternos e são elitistas.
Mas não, claro que não... Não é isto que... não são estas palavras vazias que unem o azul ao som: é o sentimento. Tanto o rio como a guitarra, tanto o azul como a música, descrevem a sua vida - mais ainda a sua morte. Ambos o caracterizam sem o definirem. Ambos ele os ama. Ambos imitam a sua tristeza cheia e quente. A sua melancolia estranha de quem vive quando os outros morrem e perde as força quando os outros se rejuvenescem.
O rio e a música são as suas lágrimas. Um, é a lágrima física e o outro a raiz da lágrima. O azul e a música são a sua anatomia e ele não encontra nenhuma palavra para os descrever ou descrever a sensação porque as palavras, ás vezes, são só uma convenção superficial humana. Só entre os homens, é necessário comunicação. Entre o aprendiz, a musica e o rio a ligação é emocional - é interior.