Thursday, February 05, 2009

These are the days

A filosofia baseia-se num bom individualismo, num egoísmo altruísta. É olhares-te e teres-te como melhor amigo, uma sombra fiel que nunca te abandona, que te segura e , sobretudo, que te protege . No fundo, a filosofia consiste em amares-te indefinidamente, mas sem cariz amoroso ( se não o lago era o teu cemitério).
Caracteriza-te e define-te no teu pormenor mais solitário, coloca toda a intensidade do teu ser na boa acção que o mundo , sedento de actos em grande e caridosos, nunca verá. Procura o anonimato para encontrares o conforto de seres ninguém e, por isso mesmo, seres carinhosamente livre . Esquecendo os outros e as suas lutas em busca da felicidade vazia, vives de acordo contigo próprio, coerente com a tua própria ideologia (que é nenhuma).
O mundo não existe, os outros não existem. O segredo da filosofia é um egocentrismo afável e controlado, porque se morreres, não há mais nada.
These are the days, Jamie Cullum

Wednesday, February 04, 2009

Ausência

Sou eu, bem o sei. Depende tudo de mim, do meu nervo que falha porque não é azul, eternamente azul como o teu. Destino-me a múltiplos fracassos em busca de uma vitoria verdadeiramente conquistada. Qual o sentido de tomar banho sem antes dormir noites de frio aconchegado na lama?
Mas enquanto estiveste aqui eu fui suficientemente importante para não me deixar fracassar na quebra da monotonia de uma existência. Foste o meu objectivo, o meu desejo de melhorar qualquer coisa. Uma amnésia agradável porque so apaga as mas memorias, mais uma cegueira consentida do que um esquecimento .
E foste, a par de tudo isso, a única impossibilidade que tenho, o teu nervo azul não esta perto do meu ( continuamente feio). Um dia acordei e já não estavas aqui, e o meu dia foi igual aos outros. Na verdade, nunca exististe.

Tuesday, February 03, 2009

Dumb

Passamos infinitos segundos a fingir qualquer coisa. A querer qualquer coisa que nos parece eternamente inacessível; entre uma estranha burrice e uma felicidade quase vazia perdemo-nos entre o que somos, o que deveríamos ser e o que os outros querem que sejamos.
Compomos o mundo com sons, entregamos o coração a algo que reflicta os nossos pormenores artísticos e sensíveis. A fragilidade implícita no nosso sorriso , corrompido pela dureza oriunda de feridas profundas e batalhas ainda não travadas, não nos denuncia e os outros não nos vêem verdadeiramente. É o esconderijo perfeito, a magnificiencia da ilusão.
É uma burrice esquisita ou uma felicidade que não é suficiente. Mas não desistas. E agarra-me, para não cair eternamente na minha oportunidade de ser como eles.

Dumb, Nirvana

Monday, February 02, 2009

Veneno Doce

É um veneno que carrega a leve felicidade, uma droga doce. É impossível não hesitar, não trair o juramento, não ofender o sangue. Sobretudo pela questão da curiosidade, experimentar algo novo. Deixar que a droga se apodere do corpo e torne a mente mais translúcida.
É um veneno com um cheiro agradável, uma infinidade de portas para mundos novos , cada qual mais belo e mais útil que outro; cada um mais perfeito e mais único, especial e pormenorizado .
Mas é uma droga. O dia – a-dia de outro qualquer transeunte (mesmo do individuo mais singular) corta-te asas, sacrifica-te pele. O cheiro perfuma o espírito e qualquer porta poderia esconder um mundo só teu. Mas como não foi esta a tua verdadeira escolha, não tens direito . Nem sequer de gostar.
É um veneno. Ou desistes da ilusão de ser como eles num jeito de curiosidade existencial, ou morres afundado na incapacidade de te reconheceres no lago.

Saturday, January 31, 2009

Lua Cheia

A dureza calcada na existência abrupta cola-se na tua pele e já não despega. A tua consciência fica eternamente activa na tua efemeridade e só descansas no êxtase.
E sabes que nem sempre é uma questão de amor, o mundo tem leis e nem tu as consegues quebrar. Porque, mesmo em negação honesta, pertences a este universo, apenas nunca te misturas.
Mas quando o sorriso é audível e puro a dureza estala fazendo com que os teus sentidos se deixem acariciar pela vida. Ignoras o mundo que te rodeia, esqueces que nunca, mas nunca és miscível com os outros; perdes a consciência que te tortura, alcoolizado por ilimitadas oportunidades que alguém conquistou para ti.
É toda a felicidade a que tens direito, uma simples noite de libertação do lobo que existe em ti numa singular noite de lua cheia. Depois regressas a prisão da tua consciência

Tuesday, January 27, 2009

Singularidade Perspicaz

Mesmo quando és um pequeno barco, com cores e alegria, olham-te e vem a tua diferença. As cores são rasgas e gastas. A sua vivacidade reside na experiência que te faz insistir na vida com a esperança de um melhor dia. E o barco é pequeno e feliz, mas lá dentro reina o caos; as cores, sem luar, são negras e obscuras.
Não importa quão agradável è o teu caderno de viagens, não importa o quanto lhes sorris. Eles sentem a obscuridade que te domina e tu não tentas mentir. Omites e deixam-te partir.
O teu destino nada tem que ver com o caderno de viagens quente que trazes no bolso. Um dia, chegaras ao pais do frio para nunca mais regressares.
Na verdade, nunca és um pequeno barco. É só uma manobra de perspectiva.

Sunday, January 25, 2009

Derrame de Sangue

Ele sabe que não lhe permitem mais que a ilusão. No fundo, compreende, entrega a sua felicidade ,construída por minúsculos caprichos luxuosos, para te manter em segurança. Por isso fechou os olhos, hesitou. E quando virou a cara salvou – te.
Ele sabe que é inútil, o espelho é inquebrável. Cortou os braços e as mãos nas suas tentativas de fazer um simples furo. Criou um rio de sangue e perdeu pedaços de pele só por um mísero buraco mas tu és eternamente inacessível. Tentou o impossível; viu-te partir e chegar tantas vezes que as feridas fecharam. Deixou de tentar quebrar o inegável, tornar falso um facto passado. O espelho existe, é transparente, mas separa-vos. Não vale a pena. É inútil.
Ele sabe que só a ilusão lhe é permitida. No fundo, manchou o espelho com o seu sangue para poupar o teu. Compreende, entrega a sua felicidade alta e momentânea ao sacrifício na esperança de que tu nunca gastes nem uma pequena e modesta gota de sangue.

Thursday, January 15, 2009

Imperdoável

É porque não percebo. És um eu distinto e distante de mim. Mas és um eu, mais sofrido e mais honesto; explicitas o amor á arte , daí as mutilações.
Não me fascina a diferença. Finjo que sou um reflexo diferente do do espelho que não deixa de ser doloroso encontrar-te, de tempos a tempos. Lembrar-me, entre glorias e luxúrias , que também sou imperdoável. Voltar a ter consciência que nenhum sitio me quer, que não foi pensado um lugar para mim. Reavivar a raiva triste que me manteve aqui, a solidão de um dia com pôr-do-sol efémero,as lágrimas que congelaram e tornaram a terra mais estéril . Porque o mundo exige o nosso sacrifício.
É porque talvez perceba o teu eu distante de mim. Dá-me uma sensação de lar triste, acabado e desfeito, relembram-me que sou imperdoável em todos os movimentos que , verdadeiramente, não faço (por isso é que finjo). E que não posso fugir de mim, do meu destino. Porque não existe qualquer destino.

Tuesday, January 13, 2009

Mostra-me

Mostra-me, desenhado nas estrelas, quão forte é a desilusão. Preciso de saber que não estou a errar o caminho, outra vez; que não te estou a dar demasiado relevo, outra vez. Mostra-me que não estou a ser o que estás a espera, evidencia o meu falhanço. Se te resta alguma compaixão, dá-me as tuas lágrimas para me libertar. De ti, de mim. De tudo, ando a conquistar uma nova hipótese no mundo, não a perturbes.
Mostra-me a tua raiva, a tua frustração. Junta as estrelas e diz-me quão profunda é a tua impotência de me controlares. Não percebes que já não importa, que perdeste o teu império e que mereço todos os dias a minha liberdade?
Não percebes que não te odeio mas que tenho o direito de ser um fracasso? Deixa-me fracassar, deixa-me sacrificar a vida num momento curto e cheio.
Olha as estrelas e diz-me que compreendes que já não estou aqui e que é inútil a tua tentativa ridícula de acorrentares a minha paixão.

Saturday, January 10, 2009

Afraid to shoot strangers

A felicidade é o dia em que a desgraça não te anula. O pedaço de luta que resiste no teu nervo, o pouco de ti que te deixaram. Ao princípio foi uma questão de raiva, querias romper com a prisão que construíste para te protegeres, quebrar o tempo e impor o teu direito de seres triste. Não o poderias ter feito sem o frio e cruel golpe do assassino que mata por obrigação mas com um prazer obscuro.
Mas não agora. Vives porque descobriste a crença, acreditaste que verias milhares de olhos todos com o mesmo olhar frio e fútil mas encontrarias um olhar diferente. E isso limpou a impossibilidade do facto e retirou-te peso da alma, sorriste mais levemente.
Quando a raiva foi satisfeita com os assassínios cometidos em honra da sobrevivência, limpaste o sangue das mãos e desertaste na guerra. És feliz quando o dia não é estéril ou quando o sol incide sobre a tua pele.Apenas.
Ate alguém te arrastar para a guerra e para os teus pesadelos . Não queres assassinar. Mas não existe outra alternativa. E acabaras por ter prazer em silencia-los na tua obrigação de te manteres vivo.


Afraid to shoot strangers, Iron Maiden

Friday, January 09, 2009

Pétala Azul

É medo de perder a única coisa que lhe resta, a ilusão é segura. E é adaptável à chuva e ao ângulo de Sol. Torna qualquer sofrimento mais fácil porque na realidade nada existe, a realidade em si nunca se concretiza. E ele vive como quer, por conta própria, hermético e individual no seu pensamento.
Mas tu aguças-lhe a curiosidade. Não o tentas enganar, nunca lhe disseste que a realidade era melhor, ou que o real era sempre objectivo. Honestamente, aceita-lo como ele é sem te aperceberes. Salvaste-o do seu orgulho pessoal porque o teu olhar nem viu o sorriso às vezes vazio que lhe doía no peito, nem viu o riso audível e falso; não se demorou sobre as cicatrizes feias que estão escondidas na pele, não procurou vence-lo e não procurou ajudá-lo. Quando o viste olhaste-o e ele voltou a sentir-se humano. Deste-lhe a pétala da flor que nunca morre quando simplesmente foste capaz de olhar para ele sem veres nele ou o monstro ou uma espécie estranha de génio.
Conseguiste provar-lhe que, em certas frequências, a realidade supera a Ilusão. E isso era tudo o que ele procurava.


Sunday, January 04, 2009

Despedida

Não posso deixar de sorrir perante a tua memória . O vento ainda me fala de ti às vezes, apesar de saber perfeitamente que o vento não fala. Sim, ainda me és importante.
Continuo a sentir o sorriso espalhar-se pelas veias, atenuar a raiva que envenenou o sangue há tantos anos atrás. Há momentos que duram um segundo e são, por isso, eternos na sua efemeridade. É-me impossível esquecer-te, a tua influência branca e quase angelical impede-me de desperdiçar a minha vida numa loucura instantânea, já não consigo ser o que era antes de ti. A tua expectativa positiva de mim fez com que parte se concretizasse.
Sendo esta a ultima carta, as ultimas palavras, as ultimas confissões, porque não dizer que organizaste parte do meu caos? E a tua lembrança corre-me nas veias , entre os picos de raiva, poderás fazer toda a diferença no apocalipse interior.

Monday, December 29, 2008

Talvez a Chuva

Talvez por isso aprecie a chuva, purifica a minha pele, leva-te definitivamente para longe de mim, atenua a dor que verdadeiramente não sinto.
Talvez a chuva seja o inverso do vento, que me falou de ti. Talvez a chuva seja a metáfora viva da minha incapacidade humana de acreditar: surge sempre depois de um tempo de sol vivo e cheio, aparece sempre quando o coração começa a secar e o som se dissipa devagarinho. Chove sempre, quando a duvida se instala e a decepção alastra.
Não é por mal. Mas para mim os dias de chuva são mais permanentes que os de Sol e a pele já está mais pálida do hábito. Não é por mal, foste o meu dia de Sol radiante e cheio; tiveste uma luminosidade que me fez esquecer que a chuva sequer existia.
Mas ela vem sempre. Tu hesitaste e choveu , o conceito de fim ocupou a mente.
Não é por mal, mas a chuva intensa que me molhou a roupa tapou definitivamente o Sol. E a luminosidade que tiveste é ocultada pela cortina de nevoeiro sem oferecer resistência.

Inspirado em Le Moulin, O Fabuloso Destino de Amélie

Saturday, December 27, 2008

Rebelião

Devias ter visto o teu monstro. Devias ter tido consciência que não ha perfeições e se tentares o inalcançável as consequências serão desastrosas. Devias ter-te informado antes de materializares o teu sonho.
Mas não, claro que não. Nunca eu fui a tua expectativa de concerto de mundo! Sentes-te ofendido pela rebelião da máquina construída para cumprir a tua frustração falhada? A minha frustração é a dor que me causas todos os dias quando me tentas impor a tua visão do mundo. A dor que nada é senão a consciência de que não me deixas ser feliz porque não me construíste para isso.
Claro que a minha dor nunca se compara à tua. Aliás, há uma fracção de dor que nem tenho direito de ter: não me criaste para ser sensível ao toque. Por isso é que num dia longínquo a minha visão impor-se-á definitivamente sobre a tua passarás a existir apenas de mansinho.

Friday, December 26, 2008

Carta a Eurídice

Pronuncia o meu nome. Eu respondo ao teu chamamento mais subtil. Não vês que me mataste devagarinho quando toda a minha esperança fundiu com a explosão da estrela? Devo-te o sangue que me limpaste das mãos. A hipótese no Vazio que furaste por mim. A organização do meu caos interior, o momento em que a dor atenua. Todas as fracções de pele que curaste com o teu toque. Assassinaste-me quando não tinha mais nada e deste-me uma razão para voltar a acordar para o meu mundo.
Pronuncia o meu nome. Não me ouves a soletrar o teu? É o nome da constelação, a única coisa que tenho no Universo, a única que amo e que me ama. Não me ouves, olha com atenção, sem ti já não existia.
És parte da constelação, também és a minha Orion. Não vês que saraste todas as minhas feridas? Devo-te a minha própria vida.



Monday, December 22, 2008

A paixão de Ícaro

Preciso de ti, do teu sorriso genuíno, da inspiração triste que fazes brotar dos poros violentados da minha pele. Aproxima-te, dá-me a mão, enrola-me no teu abraço. Ou a crosta endurece e enclausura-se abandonando-se no imenso mar azul, sem ti o coração não faz sentido e a morte ganha, anula-me.
A tua carícia liberta-me da insanidade que criei para conseguir o direito de existir, liberta-me das convicções que não são minhas . Retira-me da guerra que não consigo evitar quando adormeço profundamente, salva-me do eu que rejeito ser mas não consigo ignorar na noite fria e negra.
Ajuda-me, ou ela ganha, voltarei a ver na morte a minha primeira mãe. Ajuda-me, porque sem ti, não faz sentido eu reagir ao vazio por mim. Ás vezes sou o caminho que sonho percorrer mas com a consciência de que me será eternamente inacessível. Sem ti, não há lugar a um sonho que não seja frágil como um grão de areia perdido no oceano.

Friday, December 19, 2008

Hora da Morte

O meu coração esta desfeito. Cortado aos pedaços. Preso ao vazio e ao nada. Só. Limitado a um espaço menor que a sua área. É um desertor da guerra que criou, é um traidor à causa e uma fraude.
A batalha final persegue-o e uma certa perspectiva de gloria ilumina-o. Mas ele escolheu outro caminho; escolheu -te. Todas as vitorias foram vazias , perdeu o ideal pelo qual dava o corpo. Trocou o sonho pelo teu calor.
Está só. Á chuva. Congela de tristeza. Não existe lugar para ele. Por favor, estende a mão e aquece-o. Guarda-o e vela-o. No fundo, pertence-te.

Sunday, December 07, 2008

Desespero

Não chores esta noite, eu partilho o teu sofrimento mais profundo ou negro. Por favor, não te arruínes, não te suicides, o meu coração está contigo, toda a minha sensibilidade está nas tuas mãos. És a minha lua cheia na noite mais fria e escura, és a minha crença.
Estás só e eles são mais e mais fortes. Maiores e ignorantes. Surdos. Mas dá-me a mão e não chores, permaneço aqui contigo, sempre . Compreendo-te e sofro por ti, eles já não me incomodam. Transfere-me as tuas cicatrizes, não consegues viver com elas, encontras culpa na tua simples forma de ser diferente. Dá-me a tua dor, és muito melhor que eu. Devolveste-me o sentimento porque me comoveste com o teu sorriso triste.
Não chores esta noite, não me deixes só. Não me deixes a sós com as minhas cicatrizes. És a minha única possibilidade de sentir o mundo com a pele.
Não chores, és a Orion. A minha. A única que me dá a hipótese de ser algo diferente de um monstro sofrido.

Friday, December 05, 2008

Carta de um Solitário

O tempo para nós só se comprometeu a estagnar por uma fracção de segundos, estamos sempre atrasados. Contra o destino que talvez nos tenha favorecido algures, estamos os dois sós.
Daí surge, possivelmente, a tua tendência para o meu precipício. Identificas-te com ele porque esperas por algo que se pareça com a intensidade do teu ser. E é daí que germina a minha tendência para o teu ângulo de sorrir : demonstras uma capacidade inata de amar o meu precipício, a minha noite mais sombria.
Mas a nossa união é um fio de prata luminoso e transparente, tão verídico e palpável como um arco-iris.
A necessidade, meu amor, aumenta e eu preciso do teu grito mudo e azul perto de mim, já que o relógio congela, o tempo anula-me e o negro consome-me.

Tuesday, December 02, 2008

O renascer do Frankestein

Respeita-me. Formaste-me, criaste-me e mostraste-me ao mundo, encara agora o teu Frankestein inconsciente.
Ganhei vida própria nas cicatrizes desenhadas na minha génese, os músculos são mais resistentes que quaisquer outros e o meu coração guarda os restos imortais da fénix velados por baixo da tua pele. Mas sou disforme, numa das batalhas frias conquistei um coração que se expandiu preenchendo-me por dentro. E tornei-me ainda mais disforme quando perdi a resistência inata de um soldado que nasceu para fuzilar. Contra a tua expectativa, rasgaram-se outro tipo de cicatrizes, tiveste um árduo trabalho em vão.
Respeita-me e aceita-me, deixei a estrela que era mantida por ti e desertei. Sou algo diferente do meu propósito. A única coisa que me pertence é o coração que não nasceu comigo, não adveio das tuas mãos sedentas de uma frustração com final feliz. O teu final, não o meu.
Sou a tua utopia falhada, encara-me, toma-me real, acredita-me porque nunca mais regressarei.