Wednesday, July 18, 2012
"Posso escrever os versos mais tristes esta noite"
Tuesday, July 17, 2012
Ser-se ateu
Tuesday, June 19, 2012
"Ter saudades do passado é correr atrás do vento"
Friday, June 08, 2012
Terra
Saturday, May 12, 2012
Simplicidade
E queremos todos ser importantes. Para alguem, para algo, em algum sentido. Tememos todos a morte, de uma maneira ou de outra, alguns conseguiram ultrapassa-la, epicuristas refinados na sua tese oculta de viver, conscientes ou não. Aprenderam a guardar carinhosamente os pequenos prazeres da vida, sejam eles o que forem. Temos todos de ser um projecto para nos e para os outros, é preciso que alguem aposte em nós naqueles instantes em que sentimos uma densa empatia pelo cavalo de corrida coxo que está só. Somos esse cavalo. Precisamos que alguem tenha o orgulho a depender da nossa postura.De ser uma inspiração para alguem, meia razão de uma salvação .Bem, pelo menos, algum de nos.
Simplicidade. O básico da essência humana é simples. Procura, encontra, rejubila-se, irrita-se, entristece-se. Ocasionalmente chora, esforça-se por rir o mais frequentemente possivel. Mas nada disto é simples, se procurares o porquê profundo, submerso, terás uma melhor e mais nítida imagem de ti – que é o que verdadeiramente procuras- e pouco mais que isso. Não julgues que é pouco. Já viste tudo o que se torna permitido fazer quando te conheces a ti? Podes rir mais alto, fazer com que a lágrima acalme a tua dor, conhecer o teu semelhante, saber onde erra o mundo, ah! tanta coisa.Simplicidade profunda complexa. É o que falta ao mundo. Acendo o cigarro, ouço música, deixo-me envelhecer numa florida juventude, activo numa aparente passividade sem moralismos, apenas ponderadas ideias que me ficaram da experiência. Pensar.
Wednesday, April 04, 2012
Fumar
Porque não preciso dessa densa irresponsabilidade para carregar , docemente, esta loucura. A loucura está em mim não numa qualquer rua perdida entrelaçada numa qualquer noite que, se fores a observar minuciosamente, foi igual a tantas outras.
Tenho todos os vicios que guardo afecto debaixo da pele e os teus vicios eram apenas semelhantes aos meus, não estavam assim tão proximos. Porque os concretizas para calar uma qualquer dor que encontras em ti e tens essa dificuldade cobarde em enfrentá-los no reflexo e eu não. São também a minha vida, parte de minha carne, se não tivesse vicios , viver me não saberia tao bem, é exactamente o momento em que os concretizo e que perco o paraiso espiritual que abraço a paz existencial. Faço-me Homem porque dão-me extraordinárias capacidades, os pequenos vicios. Sinto-me igual aos poetas e aos músicos e aos herois e a todo e qualqer homem comum, somos todos comuns, contrariar isto não é gastar a vida numa boémia linha de pensamento que tende a ser oca. Como tu fazes.
Porque só sou irresponsavel porque sou Homem, está-me no musculo mais inato que existe em meu corpo. Mas porque sou responsavel pelas consequencias que advem, não sou igual a ti. Tenho os meus vicios que são os teus vicios, mas não me orgulho deles, apenas tenho prazer em pratica-los e guardo esse bem-estar na incosciente memória. Tornam-me homem porque sinto a vida.
Tenho o maior vicio de todos, a causa de todos os vicios- tenho o vicio de viver, o mais humana e sabiamente possivel. E , essa, é toda e qualquer diferença que entre nos se instala. Eu sou absolutamente feliz na minha consentida efemiridade.
Tuesday, February 14, 2012
Inovação
E podes calar-te ou podes insistir em criar ruído – sou feliz no meu melódico silêncio. Amo a música porque é toda a essência que me conheço. E tudo o que desejo é uma morte que me não envergonhe. Só quero saber viver.
Penso quando penso e penso abstractamente quando não penso, penso sem pensar. Penso com toda a sensibilidade artística para o mundo que consigo encontrar em mim.
Por isso mantém-te no silêncio ou persiste no ruído, simplesmente, me não importa. Existo. Bebo a vida e à vida. Sou feliz. A tristeza do mundo é só necessária para ofereceres à arte um encanto humano de tão profundamente sobre-humano. E para aproveitares numa intensidade desenfreada consciente os dias cheios de um Sol que te limpam o espirito de cicatrizes que já não fazem sentido.
Não quero pensar sobre o se , o se é uma porta para um conceito de nada alheio – já fiz. E sou rei de mim proprio.
Tuesday, February 07, 2012
Envelhecer (Parte III)
Ele amava-a, como nao amar? Eram correctamente complementares. A essência do ego era semelhante, a forma de o colocar activamente no quotidiano era contrastante. E ela amava-o, admirava-lhe as cicatrizes, a arte de sobreviveer crua e firme. Inspirava-se nele. E ele via nela uma beleza suave mas forte. Nao havia qualquer fragilidade, ela nao era volátil na sua efemeridade. Podia nao ser uma fonte de inspiração, mas era, sem duvida alguma, um instante reluzente que o fazia sentir-se ele , sem as cicatrizes profundas da sua essência.
Mas nunca lhe reconheceu a elegância do pensamento ou a arte de saber viver modesta e aristocratamente. Nunca lhe reconheceu a astúcia humilde e sensivel que protegiam o ego. E, um dia, o Inverno foi rigoroso, de neve suave, frio desumano. Ela vestiu o seu casaco quente e correu para a neve. Ele entristeceu-se e queixou-se do frio. Ela tentou explicar-lhe o que de tão encantador havia na neve, no frio. Ele disse-lhe que nao queria saber. Disse-lhe que todos temos que crescer um dia, envelhecer. Ela já era demasiado adulta para brincar na neve, devia ganhar consciência de que o frio congela o corpo, de que o Inverno deprime porque é triste.
Monday, February 06, 2012
Saber Viver (Parte II)
Ela era algo de novo. Nao que trouxesse consigo uma inteira nova ideia. Nao. A novidade que trazia era a forma como se mostrava firme no amor que dedicava ao seu ego. Mantinha um bom egocentrismo, um bom individualismo que olhava ao colectivo. Ela era algo de novo na forma como articulava o porquê. Trazia consigo o mesmo vento alheio mas dava-lhe um nome diferente. E já nao era um vento comum – era o vento dela.
E sabia apenas só o que sabia, procurava saber mais em todas as esquinas de todos os instantes. Era esguia e aristrocata no pensamento que defendia, jamais dizia tudo o que sabia, jamais a venciam em qualquer duelo facilmente. Dedicava-se sempre a conhecer bem o seu oponente. Ela era melhor porque acrediatava firmemente e sem hesitações que o era. Mas mantinha-se em movimento, em constante renovação, no dia que parasse, deixava de ser autoridade de si própria.
Um dia, o Inverno foi rigoroso, trouxe consigo neve e um frio desumano. Ela vestiu o seu casaco quente e abriu expectante a porta. A neve era suave e amigavel na sua mao. Deixou-se encantar, o pensamento perdeu-se no manto branco. Imaginou. Porque a sua peculiaridade era olhar para o que todos veem e responder a um diferente porquê.
E sorriu. E foi feliz intensamente naquele instante. Em que sentiu a neve na sua pele, na palma da mão . O frio só a incomodou depois. Foi algo de extraordinário. Ela era algo de novo. Mantinha o espirito jovem. Jamais se contentava com um qualquer consolo. Ela desejava ser ela. E via arte em todos os recantos. Viu arte na neve. E foi intensamente feliz naquele instante intemporal.
Falta de Coragem (Parte I)
Thursday, January 26, 2012
Queda de um Ícaro
Mas nunca tive eu essa tristeza, de não viver, de estático observador da vida que é minha. Errei e corrigi, se me feri, não teve outra hipotese a ferida para alem de cicatrizar , continuei vivo no dia seguinte. Porque estou vivo e quero viver, jamais não vivi. Posso ter vivido mal, escolhido o que era errado ( mas o que é o correcto?) mas escolhi. E vivi. Essa tristeza, meu amigo, não é minha. É tua. A tristeza de não viver ao viver a vida no limite, precisar o pormenor que consola o espirito e generalizar e maximar toda uma excentricidade humana numa boémia ideia que julgas que te esconde e protege do mundo. É uma tristeza que é tua.
Monday, January 16, 2012
Celebração da amizade
Bebamos à vida, à arte de saber viver para alem de existir que está tão entranhada na nossa essência. Sabemos viver, esqueçamos hoje a morte porque não está ela entre nós. Aproveitemos o dia esventrando a essência de se ser feliz na simplicidade luminosa de um discreto e tímido raio de Sol que aquece e ilumina. Porque não estamos sós, a tua solidão acompanha a minha e, o consolo que fica é o conforto da honesta amizade, saúde muscular para a mente e para o espirito.
Esqueçamos, hoje, as intermitências oblíquas da vida, bebamos antes ao acto de viver, bebamos ao prazer de beber, bebamos aos simples prazeres da vida. Bebamos ao gosto de viver em boa companhia. Celebremos a amizade, hoje, e esqueçamos tudo o resto sem deixar de o recorda. Bebamos hoje à verdadeira amizade que se aquece entre nós. Bebamos à vida.
Separação
Porque canto a vida, meu amigo, canto a alegria de viver em cada melodia de cada esquina. Quero o dia cinzento para o sol se alongar mais intensamente no dia seguinte e me prencher Quero a oprtunidade em movimento, a dinâmica do ideal viva em cada pedaço de chão. Nada está cumprido até o ideal chegar e a minha morte é apenas uma certeza da persistência de minha essência. Não é uma existência mórbida ou dramática.
Mas tu, meu amigo, que existência é essa que te move numa ironia aguçada cheia de uma sensibilidade estrutural que não moldas ao teu ego? Findas num destes dias nessa brusca separação entre a agressividade que exprimes e a tristeza que julgas que escondes. Findas num desses dias cinzentos em que eu canto a melodia da adrenalina de viver. Há um oblíquo denso caminho no qual te perco. A existência precede a essência.
Wednesday, December 21, 2011
Ensinamento
Se algum dia compreenderes que te compreendo e te não posso desculpar so porque vejo de que cor é a tua dor e qual é a tonalidade da tua essência. Te não posso desculpar por empatia genuína. Um erro é sempre um erro, eu tenho os meus, disciplinei o meu olhar para se tornar optimista e tornar a miséria util, de forma humana honesta , sem dramatismos pateticos. Se algum dia compreenderes que já cresci, já tive esse momento em que afundei a minha melancolia cheia de raiva surda na irresponsabilidade e na loucura.Deram-me a consequencia grave e moribunda de uma causa que não pedi e não mereci, era injusto te-la, era injusto fazer nada. E depois a vida passou por mim porque me droguei no êxtase e, quando a consciência me dominou, procurei a orientação responsavel cheia de uma sabedoria epicurista porque experimentei todas as sensações. Ninguem me levou a sério, era apenas louco e todos os loucos são inconsequentes.
Mas eu vi a tua procura pela mudança, ofereço-me sempre para te ajudar a estabilizar a turbulência da drástica alteração no teu ego. Mas me não mistures com eles só porque não assumo oficialmente que identifico a tua desgraça porque tive uma semelhante. A individualidade não implica especialidade eficiente em ser melhor que qualquer coisa. Ser diferente é apenas ser diferente, és tu que tens de fazer algo excepcionalmente bom com isso. Eu compreendo-te mas já sei quem sou e o lamento não ser.
Tuesday, December 20, 2011
Surrealismo
E és uma história, mais uma, cheia de um caracter profano quotidiano. Trazes contigo a beleza que conquistaste numa determinada era, o amor é volátil e denso. És um pequeno conto, se ninguem imaginasse que uma especifica ideia se podia instalar, tu não existirias. (Ver-te sem te reconhecer porque me não pergunto sobre o que te move)
E importa pouco se é um final cheio de felicidade ornamentada com mérito e prestígio ou um final com tonalidade triste preenchido por uma lógica incisiva de que tudo é exactamente o que é, ver a restrição da imaginação onde ela mais voa. Liberdade de existir é uma restrição em si. Importa que termine de forma a que faça sentido e movimente uma ideia.
É o suave sorriso do ego depois do conto, deixa-te a pensar. Mas tu tambem és um conto. Os bons momentos foram bons e os maus foram maus, o pragmatismo da realidade é o que lhe permite encanto, não tens de ser objectivo oblíquo , podes imaginar que imaginas.
Eu imaginei-te e só me importa a minha ideia, no final, quero que o conto que és justifique o caminho que quero crer que percorri. Mas oferece-me um final qualquer, entende, o que sempre me atraiu nos contos nunca foi o facilitismo de um fim que me aquece o espirito. O conto aquece a essência humana individual, suporta e sustem e eleva todo o meu ser a um outro nivel.
Monday, December 19, 2011
What a Wonderful World
E sou uma fonte de erros, de falhas e de incoerências antroplógicas cheias de uma lógica rigorosa ampla e humana porque sou egocêntrico equilibrado no optimismo do reflexo que identifico como meu. Sou uma reserva compactada das inovações que me favorecem ao oferecerem-me um lugar cheio de mérito existencial no mundo. Sou uma essência individualista arrongante, acredito que a minha ideologia tem , pelo menos, tantas hípoteses de estar correcta como qualquer outra.
Eu sou eu, apenas eu e, no final, sou apenas eu , que existe contigo em dinâmica contínua numa rede densa e suave de afectos que se nunca quebrou. Porque sou uma fonte de qualidades que se ornamentaram e que se tornaram mais elegantes no pensamento na coexistência uníssona contigo, desde sempre; sou, em alguns instantes, uma versão diferente de ti ( porque a existência precede a essência).
Friday, December 16, 2011
Desintegração
Monday, November 14, 2011
Amor II
Amor I
Monday, November 07, 2011
Silêncio
Saturday, November 05, 2011
Desconcerto
Thursday, October 20, 2011
Darwinismo
Monday, October 10, 2011
Reminiscências de uma Morte
Wednesday, October 05, 2011
Viver
Sunday, September 11, 2011
Dia de trabalho
Roma
Monday, September 05, 2011
Jim Morrison
No teu corpo desfeito deixei eu a minha melhor melodia , deixei eu o meu clandestino cigarro numa cidade que não é a minha. Sou teu crente, deus homem , morto por um tempo que não era o teu. Sigo a tua voz que ainda hoje é signo de futuro. Sigo a tua melodia ímpar e encontro-te vivo na morte que te definiu antes de sequer ter eu aberto os ouvidos para saber de que cor é o mundo.
Ao teu corpo desfeito deixei eu o meu obrigado mais profundo honesto, a mais elegante e sincera arte que em mim escorre. Sigo-te, que seria de mim sem a tua existência para me fazer companhia na solidão gelada de uma noite demasiado quente? Ao teu corpo desfeito deixo eu a prova de que a tua vida não foi inutil. De que não foi vazia, de que não és um corpo oco.Foi crueldade ignorante alheia, a tua morte.
Apolo
Tuesday, August 09, 2011
Unhappy Girl
Mas o Amor é simples. Amo-te apenas porque tu és tu, um inteiro ser que é um Universo caoticamente organizado só para mim. A beleza do teu rosto não deixa tambem de ser desenhada pelos meus olhos. E amo-te com a complexidade que existe na suavidade do mar de uma tarde de Verão. O Amor é volátil e é efémero como uma flor.Amo-te apenas porque tu és tu.”
Ele dobrou de novo a carta, as palavras dela tinham sido verdade, o já não eram. Não, não o eram para ele. Mas as palavras, aquela inutil folha de papel guardava perfeitamente a essência dela. E ela era única , era dual. Vivia do que sentia, vivia da melodia que o mar lhe cantava ao ouvido, vivia de sensações extremas e da consciência no final da noite. Vivia da tristeza em paralelo com a alegria. Ela vivia da vida que germinava dentro dela, era única. Era dual, tao melancólica e tão carismáticamente alegre.
Ama-a ainda, por isso. Ama-la-à sempre, mesmo quando o amor se esgotar, ama-la-à sempre. Porque ela libertou-se da dor daquelas palavras , resumo de um futuro sem futuro, ao escreve-las. Naquele pedaço de papel respirava o coração dela. Ela tinha um elegante e melódico conceito de arte. Mas ele não. A única arte dele era ela, era o perfume dela, era a essência dela e ela já tinha partdo. Porque ela percebia e vivia da arte e ele vivia numa realidade organizada , fixa e imutável onde não mora a ideia improvavel.
Saturday, June 11, 2011
"Posso escrever os versos mais tristes esta noite"
Tenho a tua memória sem ter a minha, já desenhei a minha tristeza naquelas palavras , veladas por um manto estrelado. Me não culpes se as estrelas so te falarem desse leve e doce amor que existiu e que já morreu. As estrelas só espelham passado e a tua melodia era tudo o que tinha. Disse-te tantas vezes que já era demasiado tarde e que as palavras se gastam, os gestos são queimados pela luz do sol e o amor flui na àgua.
Meu amor, serás de outro, és de outro e não me magoa porque o amor não deixa de ser inutil. Já perdi o ego que te amava, se esse meu eu já não existe, tu nunca exististe. E o amor é inutil. Fica a memória da memória que um dia foi verdade.
Amei-te quando te amei e, amei-te até, quando te não amei. Pouco importa a beleza desse passado, meu amor, pouco importa que me ames ainda , apesar de já me não amares. É inutil, meu amor, é inutil. Esquecer-te-às e serei uma desfocada memória de uma memoria que não existe.
E amo outra ( e amarás outro) , sem nunca te substituir, substitui porque, no passado o amor é irrelevante.
Já escrevi os tristes , melancólicos e arrastados versos naquela noite. Já me causaste essa dor e eu esqueci-me da sensação. Já me esqueci que me tinha esquecido. De ti. Esqueci até o esquecimento.
Meu amor, já escrevi os tristes versos naquela noite. Já me causaste a última dor e, aquela tristeza grave melódica que me envolveu, é uma memória longíqua. Liberta-te de um passado que é inutil. Deixa que o esquecimento corroa a minha memória.
Sunday, May 15, 2011
Evolução
E , amanhã, lá vais tu cumprir o teu ritual de tortura. Agora, nos tempos modernos, eles tornaram-se piedosos e esquivam-se de coleccionar cabeças, não, tentam que a tua essência se dissipe e te mistures num cântico uníssono com eles. Mas o não farás, nunca. Aguardas sempre o dia do sacrificio, aguardas sempre a tua sentença enquanto orientas a tua vida segundo a tua ideia. Enquanto procuras que as tuas simples palavras tenham algum efeito nos inconscientes. Dás o teu melhor para ganhares segundo a tua crença no núcleo do sistema deles.
Caminhas só mas não estás só. Tens em ti a força dos teus Mestres. Tens em ti a força daquilo que crês ser melhor. Tens contigo aqueles que contigo concordam e , que na tua companhia, partilham a tua tortura. E, essa amizade que se instala ,é ornamentada com a mais leal das lealdades. Isso, nunca vao eles perceber e, só por isso, poderás perder a batalha e a tua vida de nada valer mas, eles, que são tantos ficaram reduzidos a menos que pó: porque caminhas só mas carregas em ti a inovaçao.
Friday, May 06, 2011
Prometeu
Mas, mas às vezes, não consegues não rejeitar o teu proprio Mestre. Para continuar dignamente vivo, tem uma crua irascíbilidade que se torna crua; não tem compaixão pela mentalidade que é claustrofobica e retrógada, nem quando é um humano choro tão compreensivel que se torna desculpavel. Porque o teu Mestre foi mestre da sua própria essência antes de te tornares seu aprendiz.
Um dia, o teu Mestre desiste de ti. Observa que te defendes e que resistes a grandes e visiveis questões, que és brilhante na crueldade que é facilmente audível. Mas abandonas-te nos pequenos pormenores persuasivos do quotidiano. E o maior perigo respira aí, nas pequenas nuances da rotina que se entranham na tua pele, que consomem a tua individualidade incoscientemente.
Um dia, estarás só numa pequena e quadrada comunidade a viver uma vida artificial, a respirar uma liberdade que não existe porque não há nenhuma marca de individualidade. Porque, o teu Mestre, é sabia e astutamente individual, é senhor de si proprio, é perspicaz e é agil. É conhecedor da essência humana, a dele e a dos outros. Observa as pequenas fraquezas e vence porque acertou nas pequenas fraquezas. Cede a grandes e visiveis questões, mas é ele que controla os pequenos pormenores persuasivos do quotidiano. E, se tu não resistes inconscientemente, das entranhas do teu ser, às pequenas pressões, às pequenas e não audiveis torturas do quotidiano, és apenas fraco e débil porque não tens em ti uma essência matricial que te faz discordar, inatamente, do que não concordas .És impotente na resistência à agressão silenciosa e dissimulada.
Friday, April 29, 2011
The severed garden
Passou o portão, sempre num passo lento e firme, a tristeza tem às vezes este sorriso. O choro alto e claustrofóbico de uma mulher incomodou-o, havia uma fracçao de uma inocente ignorância na forma como estava desesperada. No choro longo e sofrido, ouvia-se uma falta de espirito, uma observação dele demasiado crua, talvez. Mas ele ouvia essa falta de resistência , essa entrega fraca à morte. E continuou a caminhar, estava à tua procura. A dor dele pertencia-lhe, a não desejava partilhar com o mundo.
Algum tempo depois, encontrou-te. Sentou-se à tua frente, calmo e sereno, o rosto impassivel, impenetravel. Do bolso retiou o maço de tabaco, acendeu um cigarro. Deixou que o fumo fosse na tua direcçao. Uma multidão vestida de negro passou por ele, amaldiçoou-o , gritou-lhe. Não entendiam.
Conversou contigo, fez-te perguntas. Respondeste-lhe nessa tua voz grave e despreocupada. Tu és a única pessoa que não tem uma consciência profunda do que te aconteceu e , ele, percebeu tudo demasiado tarde. Era um destino demasiado triste que tentou evitar como pode. Ignorou esse destino certo teu até que se tornou verdade.
O homem acabou o seu trabalho de alisar a terra. Estava habituado aquele ambiente negro e triste do cemitério, estava habtiuado à dor das familias que deixavam naquele sitio o que restava de uma esperança cruel. O homem trabalhava no cemitério há muitos, muitos anos, mas nunca tinha visto nada como aquilo. Um homem novo, com um casaco negro preso ao peito, sentado à frente de uma terra por preencher a fumar.A ignorar todo o ambiente que o circundava. A indiferença dele era a expressao fisica da dor , uma dor ornamentada com uma dignidade respeitavel. Ele estava bem, estava triste. Nada podia ser feito por ele, a morte é irreversivel. So não compreendia , o pedaço de terra na sua frente , não tinha nenhuma campa.
Algum tempo depois levantou-se. Olhou-te uma ultima vez. Pediu-te desculpa, não ia regressar tao depressa. Tambem ele necessitava da doce solidão. Precisava que a tristeza se ajeitasse, que se tornasse artistica.
Tirou o casaco negro do corpo, começou a sentir o calor a ajeitar-se na pele. Tinha uma bruta consciencia ele, queria dizer-te para aliviar o pensamento que estava preso à mente dele. Que lhe era inato. Por isso é que te disse que preferia que o teu suícidio tivesse sido físico, preferia que tivesses como tecto aquele pedaço de terra. Porque morreste quando deixaste de existir, e, completamente morto estás hoje. Seria mais facil se te pudesse chorar naquele sitio. Seria mais facil ver o corpo inerte do seu irmao ao lado de tantos outros.
Mas escolheste um destino ainda mais triste, a arte da tua tristeza foi ainda mais profunda. Arruinas-te um pedaço do ego dele com essa tua morte.
Monday, April 25, 2011
Berlim
Thursday, April 21, 2011
Cores de Paris
Tuesday, April 12, 2011
Amizade
Thursday, March 24, 2011
Rosa Perdida
Mas o Amor é mesmo o melhor que existe na essência Humana. E depois de tantos dias compridos e cheios de uma massiva tristeza, os esverdeados olhos esperam-te num abraço que só te cura as feridas se for o abraço dela. O precipicio de onde so saltas se aqueles braços te segurarem o folego. Porque há sensações pelas quais vale sempre a pena morrer, morrias para sentir os teus dedos entrelaçados nas manchas sedosas do cabelo. O sentimento de paz que te surge quando a silhueta se destaca da multidão e tu a identificas. Por mais densa que fosse a multidão, identificarias aquela silhueta em qualquer momento.
O lugar vazio de um sitio que nem te apercebeste que se colava ao teu coração enquanto quebrava a dureza do teu ego. E acabas por te encontrar no espelho com uma consciência mais fina. És melhor do que sempre julgaste que eras, melhor do que o melhor que desejaste ser. Porque o Amor é esse sopro de final de tarde Verão quente , enquanto as tuas mão memorizam a essência do mar.
Saturday, March 12, 2011
Desprezo
Oh! Não comprimas os músculos como se a tua dor fosse imensa, uma dor nunca é patética e sempre me orgulhei de não ser cruel. A dor, para ti, é quando rejeitam a oportunidade superficial e estúpida de preencheres o vazio que esse complexo de existencia deixou na tua essência. É que, meu amigo, nem sequer és cruel. Ou perspicaz. Ou movido por algo que imponha qualquer tipo de respeito, não é tudo tao pouco que , sinceramente, oiço o meu proprio riso onde julgava viver um consentido desprezo.
Ah! Outra vez, o teu eterno e ruidoso sentimento. Honestamente, deixas-me saudade da cruel e fria forma perspicaz como esta sociedade , as vezes, aniquila ideais e esventra egos demasiado bonitos para poderem viver aqui. Porque? Ah é tao simples, eles ao menos evocam respeito pela forma inteligente como se movem numa massa cinzenta baça abstracta a que se chama multidão. Ao menos eles puxam a evolução à força de a negarem. Tu puxas nada, reclamas nada. Sofres nada. Vales nada.
Por isso, meu amigo, meu inutil e oco amigo, ironicamente oiço-me a rir abertamente da tua patetica existencia. Após aquela irritação , so vejo um palhaço triste a continuar o seu patetico e feio espectaculo quando o publico já o rejeitou e já abandonou a sala.
Friday, February 25, 2011
Arte
A arte, sob qualquer sensação, é a minha religião. Desde a arte do heroi que libertou um país pela sua bélica crença na liberdade ( que lhe custou apenas a mortal vida) à forma como , de vez a vez, a tua voz me aconchega os pesadelos e os tornam irreais. Ou aquele quadro onde revejo, egoistamente, uma parte do meu ego que nunca lá esteve sem deixar de, efectivamente, estar lá ou o não veria.
A Arte é o meu único Deus. É o Sol que entra pela minha janela e torna o espirito leve. É a minha única religiao. E sou feliz com ela quando a tristeza , que chega sempre, nada pode contra este Sol quente e radioso. E estou em paz. É tudo o que importa. Tambem eu tenho um paraíso e um inferno, não são iguais aos teus mas não são menos verídicos ou válidos.
Tuesday, February 15, 2011
O Novo Aquiles
Ah! Não vês? Ele herdou a força e a magnificiência de Aquiles mas a consciência da fragilidade do calcanhar oferece-lhe um destino diferente. E torna-se ainda melhor e maior ao reconhecer em quem não se quer tornar. Não quer ter qualquer semelhança contigo.
Por isso, nada podes tu contra ele, contra alguem como ele. Nada ganhas ao tentar vencer a suave e fria perspicácia dele. Diverte-te agora, enquantojulgas que podes. Enquanto a consciencia bruta de que és nada e miserável não está definida no teu corroído espirito, julgas que podes tentar humilhar um teu semelhante. A tua aguda e estridente ignoranância transforma-te nesse triste ser que não sabe viver.
A tua patética ignorância te não deixa ver que ele é um Aquiles renovado depois de lhe teres esmagado o calcanhar. Tornou-se ainda mais bélico e mais estratego, quando desejar entrar na guerra vence-a. Facilmente.
Quando ouvires o som dos teus ossos estalarem, quando sentires todos os teus musculos rasgados como papel, será tarde. Não devias ter tentado esmagar-lhe o espirito. Entende, ele é o novo Aquiles, ao proteger o calcanhar tornou-se invencível. Enquanto tu és apenas mais um triste e decadente mortal que se gasta em cobardias porque, quando te olhas ao espelho, tens essa inegavel certeza de que és pouco, de que és miserável. De que nada vales.
Ele é Aquiles, ao proteger o calcanhar tornou-se invencivel. Que podes tu contra alguem como ele? Diverte-te na tua ignorancia enquanto julgas que és Rei. Rei de Nada porque é isso que és.
Sunday, February 06, 2011
Orion
Como vês, meu amigo, existem dois tipos de pessoas. As que são pessoas e as que fingem que são pessoas na esperança de serem recompensadas por serem mesquinhas e pequenas. Por serem rídiculas. E patéticas. E burras. E, indefinidamente, cómicas.
Mas, meu amigo, a tua miséria sempre foi um melódico e triste desconcertar interior. E a miséria que sou é o que tu foste, talvez a tenha herdado de ti. Talvez tenha isso como legado teu, essa triste de tão melancolicamente verídica, visao objectiva e abstracta do mundo.
Porém, posso dizer-te onde duramente erraste contigo. Porque, por mais miseravel que fosses, meu amigo, existe sempre Orion que te vela e te afaga o sono. Existe sempre a Orion, a estrela que reflecte a tua grave e melodica tristeza para não seres apenas a miséria que és. Existe sempre a Orion que, ao te nunca deixar só, evoca uma esperança bélica e te torna naquilo que fizeste com a miséria que tens consciencia de ser.
Porque somos todos miseraveis , meu amigo. Alguns , simplesmente, tornam-se em algo melhor do que isso. Entregam a pureza de um ideal de ego à Orion. Porque “estamos todos na lama, mas alguns conseguem ver as estrelas”.
Tuesday, February 01, 2011
Deslize
Mas so tinham isso em comum, o amor excêntrico e desmedido pela música. E, algures, ela trocou a música por algo mais futil sem, nunca no entanto, deixar de exibir esse aberto e azul amor pela música. E ele deixou de a amar, a música era a vida dele. A música era ele. Não tinham nada mais em comum. Eram opostos. O amor que lhe tinha perdeu o fundamento.
Monday, January 31, 2011
Ciclo
Mas ele gosta de ser só ele. Em alguns dias, gosta de ser apenas ele. E o Amor que tem pelo seu proprio ego fá-lo ser ele.Inteiramente e apenas ele. Esse mesmo ele, que harmoniza o Amor no teu peito. E cumpres esse papel até que se torne real, até que ele creia nesse eu que representas todos os dias. Até que essa imagem, essa permanente actuação se torne real. E tu sejas quem julgas que és. E tu te tornes em quem queres ser.
A Crença II
Entregas-te a pequenos prazeres, a tua fé já foi esventrada. Trocaste a esperança por um ego de aço. Trocaram-te a fé pela procura da credibilidade do ideal que te move. Porque o teu mestre está morto.
O teu rosto guarda as cicatrizes de todas as vezes que venceste. Não estarias aqui se não tivesses, habilidosamente, sobrevivido. Tornaste-te melhor porque venceste o teu próprio medo. Mas o teu mestre morreu, o medo , mesmo na sua cristalina utilidade, não desgraça tanto como a dor.
E assassinaste Deus antes de Ele existir, toda a plenitude de existencia que tens , pertence-te. Mas o teu mestre morreu. Em ti. E, agora, todas as palavras estão mortas porque perdeste a crença.
Friday, January 28, 2011
"Posso escrever os versos mais tristes esta noite"
Escreverei os versos mais tristes esta noite. Meu amor, as estrelas não se comovem com a dor humana porque, quando a veem, outra diferente desgraça já se instalou. E outra aquecer-se-à nos meus braços assim como tu te aqueceràs nos braços de outro. Meu amor, esgotámo-nos. É inutil. Amei-te e, em momentos de cristalina existencia, amaste-me. E , agora, tudo é irrelevante porque se esgotou o Amor. Amaste-me e, em dourados segundos, amei-te. Amei-te até quando te não amei. Amo-te aínda, enquanto me esqueço. Amo-te ainda, enquanto o fim se instala e o passado se torna numa pequena e longíqua memória.
Escrevi os versos mais tristes esta noite. Meu amor, a ilusão tem a sua metade de verdade. Mas o Amor esgotou-se. E a estrela so te pode indicar o Norte se te quiseres perder. Porque o que foi passado tem a sua metade de inutil. Meu amor, recordo quem és mas já não reconheço a tua essência. Escrevi os versos mais tristes esta noite, o esquecimento nunca tem a sua metade de quente. Esgotámo-nos. Esgotei-me em todos os versos que escrevi. Esgotámo-nos.
Orfeu Envelheceu
Orfeu envelheceu. Guarda aínda no peito o inconfundível perfume de Eurídice. Da sua Eurídice, ama-a quando a relembra. Ama-a só quando a ama, a não pode amar quando não a ama. Orfeu envelheceu, esqueceu o que era o amor , guardou apenas a memória do que era aquela vida. Orfeu envelheceu mas o mundo continua jovem.
Talvez não fosse Eurídice, talvez Orfeu tenha entregue a melodia única da sua lira à Eurídice que não era Eurídice. Mas está envelhecido, Orfeu. Ama-a ainda quando a relembra. A não pode amar quando a não ama porque o fogo congelou-lhe o coraçao. Orfeu envelheceu.
Sempre foi a Eurídice errada. E Orfeu está velho. A morte abraçou-o e deixou-o vivo para contemplar a o fim da sua harmoniosa essência todos os dias.
Orfeu envelheceu, era a Eurídice errada. Mas, de alguma forma, foi a sua Eurídice. Ele sempre foi Orfeu. Era a Eurídice errada mas era a sua Eurídice.
Wednesday, January 19, 2011
Incomodo
Mas tu és um eu morto. E ele é um eu morto, o eu dele que te amou. Morreu.
Quando uma qualquer desilusão se abate sobre o ego dele, sente-te a falta. Foste o único ser que nunca o compreendeu. Amaste-o sem o compreender.
É um incomodo que lhe não sai da pele. Só tu o conheces o suficiente para reconheceres as suaves extravagancias dele ou o momento em que o coraçao dele se despedaçou. E, tu. Tu nunca o compreendeste.
É um incomodo que lhe não sai do espirito. “Roubou todas as rosas dos jardins e chegou ao pe de ti de maos vazias”. E esse romance que não conseguiu singrar reflecte demasiado bem o que ele é.
É um incomodo corrosivo que lhe não sai da pele. Este amor que ainda te tem sem te dedicar amor algum.
Tuesday, January 18, 2011
Carta de Homícidio
E, às vezes, é preciso sujar as mãos com sangue alheio para se ganhar o direito de viver com calma. A violência gera um ciclo de violência que uma paz utópica nunca atenua. E, não, não me consigo vanglorizar por ter unido a minha relutante sombria honestidade com um ideal que não singra aqui.
Porque o meu erro é culpa inteira vossa. É um clima de competição que a vossa mediocridade gera. O meu sangue está guardado porque sempre foi limpo, o que me misturei com voces foi uma fria estrategia . A minha triste ironia é tao concisa que a tomam como elogio. E o meu cru divertimento vive na forma como são tao facilmente enganados.
Não, não tenho um especial orgulho na minha brilhante estrategia de existir, conhecer-vos e manipular-vos. Mas , às tantas, nasce uma vontade calculista de derramar sangue e eu perdoo-me do meu proprio pecado. O erro sempre foi vosso. A minha brilhante forma de vos manipular faz com que a responsabilidade da vossa torturosa morte seja inteiramente vossa.
Monday, January 17, 2011
Last Kiss II
Agarrei o meu amor até se despedir de mim, até me despedir de mim. Abracei o meu amor até a sua essência se confunfir com a minha pele. E senti o beijo doce de quem sabe que vai morrer. E o meu amor morreu nessa noite, nessa noite em que a lua iluminava tanto como o Sol. Agarrei o meu amor de perto, agarrei o meu amor até o luar desaparecer eternamente da sua essência. Da essência do meu amor.
Agarrei o meu amor até que o inevitável congelasse a minha consciência. O meu amor morreu nessa noite, na noite mais estrelada desse Verão, na noite em que as estrelas desenhavam um horizonte longíquo de uma vida que nunca se concretizou.
O meu amor morreu nessa noite. Na noite em que até a Lua se esgotou e a essência do meu amor entregou-se ao negro e eterno silêncio do vazio.
O meu amor morreu. Morreu nessa noite, nessa fresca , aromática e típica noite de Verão. E, quando vejo, o meu amor moribundo numa qualquer rua. Lembro-me. Lembro-me daquela infindável e suavemente perfeita noite de Verão em que o meu amor morreu.
Monday, January 10, 2011
Pain in the heart
E não há nada de simplista no conceito de liberdade. Ela sempre foi simples, nunca foi livre. Amaste-a , mas os teus olhos sempre foram de uma outra cor. A da liberdade. E nunca foi uma escolha tua. Nunca foi linear, a tua forma de demonstrares que estas vivo.
Monday, January 03, 2011
Movimento Anti-Regras
E eu vou continuar a ignorar as regras literárias das vírgulas e as palavras sem acentos continuam a ser perceptíveis. É o conteúdo que importa, o resto não deixa de ser ornamentação. Se compreendes o que escrevo, entao o resto é ornamentação.
Que azafama com regras que so ficam para a historia porque serão quebradas! Penaliza-me o que quiseres. Nada tem haver com as incorrecçoes com que escrevo, tem a ver com os mestres que sigo. Todos eles muito maiores que tu, cumpridor cego de regras obtusas.Ao contrário dos meus mestres que inventaram novas regras à força de as quebrarem por serem vazias.
Sunday, January 02, 2011
O Amor
Talvez tenham razao. E o amor seja so uma metáfora que mantem o espirito faminto por uma nova sensação. Mas é irrelevante, a pele dele memorizou a essencia do teu sorriso. E, quando uma qualquer consciencia dolorosa e humanamente avassaladora lhe atravessa o peito, lembra-se que te sente a falta e uma dor pacifica instala-se.
Talvez o amor seja so uma forma diferente de se entregar o coraçao a uma morte que se alonga no tempo. Mas, quando adormece, a tua memoria protege-o de pesadelos reais e ele perde o medo de morrer. Porque, se morrer, é de uma forma melodicamente bonita.
Rosa Azul
Ela esperou por ti.Incansavelmente. Naquela esquina sombria. Ela esperou , esperou que o tempo te trouxesse com ele nas suas esquivas formas de governar o mundo. Mas tu nunca chegaste porque deixaste a tua rosa morrer. E percebeu que se chegasses , chegavas demasiado tarde e , entao, mais valia que tivesses morrido. Mais vale nunca do que demasiado tarde.
Falhaste. E é um desconserto que não consegues apaziguar na tua alma. A figura dela, expectante, crente. A esperança que é o inicio da ruína. E o abraço que nunca lhe deste porque a tua rosa morreu. De que te valeria ofereces-lhe todas as flores de todos os jardins? A tua rosa morreu, as tuas mãos estariam sempre vazias.
Melhor era que ela te desse como morto. Perdeste a tua rosa. Mesmo que que a tivesses encontrado naquela esquina, não serias tu. Porque a tua rosa morreu nas tuas maos à força de a quereres, desesperadamente, salvar.
Saturday, January 01, 2011
Fénix
No meio da rua, no meio de uma multidao sem rosto. Anónima. Como são todas as multidões. Respiras fundo e tapas o teu rosto singular com o capuz do casaco, queres ser reconhecido pelo não-reconhecimento. É uma metáfora desfocada e cheia de nevoeiro. Todos estão expostos e são todos demasiado pouco para mostrarem qualquer tipo de espirito.
Respiras fundo. Paras no meio do passeio. É uma loja de brinquedos, é uma loja de crianças. Ah, foi o inicio do teu pesadelo, foi o teu momento de maior felicidade. Foi o inicio dessa tua tortura arranhada e arrastada, procura anular-te melodicamente em vez de te assassinar. Foste uma criança brilhante, brilhante à tua maneira. Foste tu e todos desenharam traços da tua personalidade, da tua vida e tornaste-te grande. Tornaste-te o melhor de todos. Tornaste-te no rosto que se reconhece no meio da multidao vazia porque é impossivel verem quem és. So se ve o que és e isso eles não vem. Foste uma criança feliz, foste uma tarde de Verão com o som da Orion e aroma de amoras e tornaste-te numa fénix. Mas não há fenix nesta realidade e tu és so um homem melancolico que parou para observar uma loja de brinquedos. Porque foste uma infancia feliz e agora estao todos mortos, todos com excepçao de ti porque te tornaram numa fénix. Quase invencivel, quase imortal. Mas te não roubaram a sensibilidade, a humaninade. Te não tiraram o que te fazia ser brilhante: a forma perspicaz e estratega como compreendes humildemente a essencia humana. És uma fenix mas não deixas de ser uma fenix solitária.
Um dia monotono. Não te traz nada de novo porque a ausencia de novidade tambem é uma forma de inovação. E tu dominas tudo isso, tu sempre tiveste esse ego dualista que te mantem vivo sem te manter insensivel. Mas eles morreram todos, a tua infancia foi queimada. E tu estás em frente a uma loja de brinquedos a lembrar-te de uma criança que em tempos foste tu. És um sobrevivente. A tua forma de seres genial é sobreviveres humildemente, demonstrando inteligencia sem demonstrares supremacia. A tua genialidade está na forma como os teus semelhantes te penalizam por seres sempre melhor que eles. Sempre algo diferente.
Tiras o capuz da cabeça. Já o não necessitas. Às vezes torna-se exaustivo penalizarem-te por algo que não tens culpa. És um sobrevivente, um estratego inato. És uma fenix. Mas tantas vezes que preferias ter morrido. Com eles, com todos eles. Com a tua infancia. Misturas-te com a multidao , é indiferente. Estás indefinidamente descontextualizado.
Friday, December 31, 2010
Essência
Mas estava muito orgulhoso, muito rejubilante, afinal a sua banda era a penultima a tocar e mal podia esperar para descobrir quem era o guitarrista da ultima banda. Devia ser um homem espectacular, um artista, um bebedo eximio, um homem com visao. Um novo líder desta geração, tinha de ser muito grande para ser melhor que ele. Pegou numa revista qualquer e, distraido, começou a folhea-la , ocupado com os pensamentos sobre quem seria o guitarrista da ultima banda. Foi quando a viu, uma rapariga muito sossegada mas com uma auto-confiança de ferro. Os olhos azuis eram perspicazes e , ele adivinhou, que seriam capazes de ler os pensamentos das pessoas. Devia ser namorada de algum guitarrista, ou irmã. Sentou-se perto dela e introduziu uma conversa de ocasião. Ela era tudo menos comum e respondia-lhe em palavras curtas e forçosamente educadas. Estava aborrecida com ele. Quando foi chamado para tocar e se despediu dela, parecia bastante aliviada mas ele não viu, nunca ve nada que não goste, dai a sua arrogancia patetica.
Porém, quando voltou da sua actuaçao, ela ainda lá estava. E estava ainda mais cheio de si, mais contente e mais orgulhoso da sua técnica. Ficou destroçado quando ela lhe disse que não tinha gostado muito. Ele perguntou-lhe, educadamente, que é que ela percebia do assunto e ela disse que tambem tocava guitarra. Ele encontrou um topico de conversa que considerou que o favorecia: sabes, acho que tocar guitarra é uma coisa de homem, por melhor que as mulheres toquem, não sei. Não superam os homens. Ela ficou verdadeiramente ofendida e nem se deu ao incomodo de lhe responder e ele continuou: por exemplo, já ouviste o guitarrista da ultima banda? eu nunca o vi mas é o maior. Dava tudo para o conhecer, para aprender coisas com ele. Mas é um homem e nenhuma mulher o consegue superar. Para surpresa dele, ela concordou obedientemente e disse-lhe até já quando a ultima banda foi chamada ao palco.
“ Há conheces algum membro da banda, da ultima”, Perguntou, meio entusiasmado, meio ciumento. E ela, calmamente, virou-se para ele e sorriu: Conheço-os a todos, eu sou o guitarrista da banda.
Monday, December 27, 2010
Não-Família
Família. É dúbio. E o amor que se desenvolve ganha espaço num mundo que é frio e cru. Um amor que sempre esteve lá mas que em algum momento peculiar é activado e o mundo conquista um sitio sagrado e mitico, um canto da praia onde Sophia ainda esta viva, onde a menina dos fósforos encontrou a paz. Sim, isso é familia. Sem romantismos . A vida sempre foi uma coisa real, faze-la mover-se numa evolução melódica requer genialidade, requer amor. Não há genialidade sem amor e a genialidade mora as vezes em pequenos pedaços de quotidiano que conquistam um pedaço de coraçao quando tudo é esquecido porque o mundo é triste. E a familia está lá, a descongelar um coraçao perdido, uma alma quebrada. A familia está lá, no seu quotidiano descompassadamente ritmada, sincopado. E nasce aquele santuário, aquele canto da praia onde tudo é possivel, a Alice atravessou o espelho e encontrou um mundo que lhe fazia mais sentido, na areia lem-se ainda pequenos pensamentos de Oscar Wilde e , o mar, na sua eterna melancolia azul traz, de vez em quando, um principezinho que corre aquele canto de praia em busca da sua rosa. Sim, familia é esta segurança , este lugar seguro porque tudo é possivel. O conceito de familia não é seguro e confortavel porque é estavel. Oh não, é reconfortante e revigorante porque nada é estavel e tudo é possivel. Até a ferida que rasgou o coraçao de papel e esmagou o espirito pode ser curada.
Mas não um daqueles conceitos de familia baratos. Não é uma pintura vazia de uma ceia de Natal. Oh não, é precisamente o contrario. Irmaos de sangue, onde o coraçao é demasiado largo e fundo para não ultrapassar qualquer contratempo, qualquer obstaculo.Familia é este canto de praia onde a brisa marinha guardou a essencia de Cliff Burton e tu te sentas lá. Quieta, a ouvi-lo. A familia torna tudo possivel. Mas não aquela familia barata e previamente imaginada e construida. Oh não, não. Esta familia que tu escolheste como tua. Irmaos de sangue, ao estilo viking. Lealdade como bem maior, imaginaçao e utopia como ideal. Um lugar sagrado que não existe e, que por isso mesmo, vai existindo. E nos somos aquele lugar, onde a familia está para alem do laço de sangue sem deixar de ser, tambem, uma questao de hereditariedade. Familia, um conceito controverso. Mas não em nós, “pagoes inocentes da decandencia”, que construimos aquele canto da praia onde tudo sempre foi possivel e, por isso, conquistamos uma fracçao de genialidade, de louca e racional genialidade.
Para a minha irmã
Monday, December 20, 2010
Noite Estrelada II
Mas a noite é calorosamente fria, como se o gelo não trespassasse qualquer coisa e o silencio devolve-me uma paz muda que não rasga a pele. Ate o bater do coraçao é mudo, ia jurar que às vezes não bate. Porque está demasiado frio e a noite alcançou-me a essencia. E aquela noite, a outra, nunca mais se vai repetir. Aquele estado de não responsabilidade não poderia durar para sempre. Nada dura para sempre.
Ficou gravada na pele, a tua essencia, ate hoje. Daquela noite que nunca mais se alongou no tempo. Somos outros eus, tao iguais e tao diferentes. A evolução deixou-nos exactamente no mesmo ponto. Como naquela noite, em que nos despedimos; como naquela noite, que é um buraco no tempo porque o calor de Verão não aquecia um frio que se instalara. O fim nunca tem a sua metade de quente.
Mas esta é uma noite fria, calorosamente fria. Porque somos os mesmos eus, perdidos naquela noite que se alongou no tempo. Perdidos naquela noite que durou ate hoje. Ate esta noite, em que o amor assumiu a sua forma de coral. É muda , colorida e ternamente silenciosa.
Afinal, só eu é que morri. Naquela noite em que me sentei à tua espera rejeitando a esperança que tinha do meu regresso. Sim, só eu é que morri.
Saturday, December 11, 2010
O amor pelo Idealista
Mas vai lá Deus saber porquê, tem em ti uma fé esquisita, quase inabalavel. Ornamentada com tanta compaixão que nem chega a ser fé , é mais uma lógica abstracta prolongada no tempo. Talvez porque falhaste, falhaste durante tanto tempo que te purificaste assim, como um jogo vencido no inverso. Entao ele tem esta fé estranha em ti, não por crer que não falharás mas porque já falhaste mas ainda estas aqui , mas o teu coraçao é de seda azul cheio de metáforas dificeis de compreender. E porque, nunca verdadeiramente, lhe falhaste. De todas as vezes que precisou de ti , que precisou que te elevasses para além da mediocridade desta sociedade, tu elevaste-te. Não por teres em espirito a mesma ideia dele de como seria o mundo. Não. Elevaste-te porque falhaste e ele é aquele ser meio animal meio homem, cheio de uma triste felicidade às vezes e outras o encanto dele mora na felicidade melancolica com que se senta , invadido por uma esperança moribunda de que isto mude. Elevaste-te porque o amas, de alguma forma, de alguma maneira típica e genuina que o torna ele e que te torna tu.
E é uma alegria estranha, amar-te. Porque às vezes o coraçao fica pequeno porque pertences tanto a esta realidade vazia quanto o resto das pessoas que passeiam pela vida sem a viver. Mas o não deixas cair no abismo, das-lhe a mao e sussuras-lhe que esta vivo e que estas aqui por ele. No caminho solitário e triste de uma ideologia que ainda não chegou. Que o define e, como tal, tu defendes porque o amas. Porque ele é único aqui e tu o tambem és. Sobretudo quando ele te dá a mao e te não deixa so nesta realidade que te suprime a beleza da essencia que carregas no peito.
Thursday, November 25, 2010
Noite Estrelada
E durante todo o tempo que esteve ausente o teu ser era recordado junto com aquele cheiro, com aquele ambiente. Boémio, suave, arriscado e romantico. Por isso é que não te esqueceu durante o tempo em que esteve ausente, o teu perfume era inigualavel. Por isso é que o deste como perdido. Porque ele nunca se perdeu de ti.
Esteve ausente do mundo , ele. Quis estudar o Amor de forma imparcial, quis compreender a sua genese. Mas acava por te sentir a falta e a ausencia de mais noites estreladas com cheiro a alcool e a cigarros cheias de um ambiente boemio, marginal e romantico. Cheias de algo que ele nunca tinha visto ou sentido mas que sempre coexistiram nele.
Ele sempre soube que aquela noite nunca seria igual às outras. Encontrou a definiçao do proprio Amor naquelas ruas sombrias encharcadas com vida genuina e alternativa. Encontrou-te a ti quando descobriu que aquele tinha sido sempre o teu perfume, o cheiro da sublime tentação dele.
Por isso é que regressou passado tanto tempo. A definiçao do Amor és tu com esse aroma caracteristico que ele correu o mundo à procura mas só descansou o coraçao junto de ti.
Porque ele sempre soube que a noite, aquela noite, nunca se repitiria. E, por isso mesmo, continua contigo à espera que aquela noite estrelada, cheia de uma essencia boemia ornamentada com uma nova esperança se repita e se torne maior. Porque a definiçao do Amor sempre foste tu, sempre foi o teu perfume, sempre foi a tua visão do mundo.
Wednesday, November 24, 2010
Cinzento Fúnebre
Epera que te não sintas só, sem ele. Já não volta o mundo das sombras é um mundo ilusório que desfaz o caminho assim que é pisado. E não, ele já não volta foi lhe roubado qualquer coisa porque o mundo é so isto. Um conjunto de pessoas tristes , tão habituadas à sua propria miseria que vender a alma para pagar uma qualquer dívida não tem qualquer relevancia. Porque o mundo , as vezes, torna-se so nisto, numa sucessao de acontecimentos tristes em que o Amor se dissolve nas crueldades melancolicas e patéticas do mundo sem o deixar renascer e florir os campos de novo, o Amor.
Saber o que é que magoa ou porque é que magoa é irrelevante. É filosofia, é meramente um exercicio filosofico e ele já não volta. Não, o tempo passou pela tua pele .Mais, passou pelo espirito dele e onde mora agora já o não podes acalmar dos terrores do mundo que ele viu e foi vitima. Não, o tempo já passou por ti ficou a memoria de uma metáfora que nunca se concretizou porque o mundo , às vezes, é simplesmente um lugar cruel em que o desespero de uma oportunidade que torne a vida melhor e mais suportavel conduz a uma crua , sangrenta e desumana forma de viver.
Não, não ele não volta de onde está agora. Nunca mais. Nunca mais vais poder confortar-te ao conforta-lo. Não, o teu amigo, o teu único amigo já não regressa desse caminho triste onde o puseram injustamente, precocemente sem o consentimento dele.
Perdeste um amigo mas , mesmo do alto do sitio cheio de tons de cinzento funebre, ele sorri-te. E pede-te para te não sentires so sem ele porque a pureza do teu espirito torna-te na única esperança deste mundo .
Saturday, October 23, 2010
Antítese
Aqueles dias que foram inuteis. Aqueles dias que foram uma ilusao verídica de uma realidade que não existe, ele era um comboio em movimento contínuo. É um corte que nunca vai deixar de ser visivel no rosto belo dele. O amor que fluiu e que era profundamente errado.
Porque tu es esse ser, tao carinhosamente igual, tão belamente não especial. E ele tem esta excentricidade que o define sem dizer nada de importante sobre o coraçao dele. O amor que te tinha dizia tudo sobre o coraçao dele e o amor que lhe tinhas dizia tudo sobre a profunda definiçao de o que eras.
É um corte que nunca lhe vai sair da pele , nunca vai deixar de escorrer sangue no espirito. Porque sempre foi um comboio em movimento, sempre foi o seu proprio destino e tu sempre foste uma vida estavel e tranquila num qualquer lugar. E daqueles dias bonitos e inesqueciveis contigo só relembra a inutilidade de um amor que é a antítese do sentido do mundo.
Hoje já nem sequer existes mas quando te vê é o seu reflexo que perde nitidez.