Tuesday, June 19, 2012

"Ter saudades do passado é correr atrás do vento"


Há uma vida que se gastou entre as oblíquas melodias do tempo, ouço-a na voz do vento da noite e revejo-me na vida que já não é minha e tenho esta leveza de espírito de quem relembra sem sentir o peso da saudade. Mesmo que a tivesse, seria inutil.
E tenho o lugar e as memórias e as esquinas daquela vida guardados na génese deste ego que me pertence agora, vejo-me sem me ver, um rosto sem rosto, um rosto futurista, o presente já foi um futuro incerto e intermitente e o passado é apenas o que restou dessa sensação e o que dela surgiu – o esquivo futuro que é o meu presente.
Porque há algo de amorfo e hermético na persistência da melodia do passado, há algo que tem a cor de um sotão velho e abandonado, de um caminho solitário e banal já há tanto tempo que vive no esquecimento de quem o caminha todos os dias. Porque há sempre algo de desconfortavel na vida que foi minha e que já não é, foi minha a decisao, deixei no lugar que nunca mais vi o meu ser a viver essa vida paralela.
Mas o meu futuro sempre foi incerto e a sua instabilidade sempre foi a fonte de toda a vida que movia os músculos. Relembro-a, relembro-a, ah! suaves dias eternizados na sua efemeridade. Recordo-a,ter saudade, seria simplesmente. Hipócrita. 

Friday, June 08, 2012

Terra


Ah sim, lembro-me, lembro-me deste som, a melodia da irascível liberdade travada num quotidiano rotineiro, travada ilusoriamente, instala-se à noite, no profundo eloquente silêncio da noite.
Lembro-me deste cheiro, sem duvida, é o teu sem nunca o ter sido, sem nunca chegar a sê-lo, é uma união abstracta racional vinda da evolução humana. Uma mera associação, descobri-o contigo, existia em ti ou julguei vê-lo em ti, mas é o aroma da terra nova mistica, da terra que é minha e que é alheia, da terra que não existe porqque está onde a quiseres encontrar. Ah, lembro-me!
E da visão que os meus olhos insistiam em ver, tambem a recordo, vejo-a agora na câmara lenta do passado que foi suplantado pelo futuro actual. Lembro-me, lembro-me, foi já há tanto tempo, mal recordo, e é tao recente que parece que existira amanhã porque nunca pereceu.
Recordo esta melodia, a calma tranquila de quem se esforça por cumprir o dever que é seu e que o faz levemente, há uma fracção de puro amor que quebra qualquer dor que se instale. Mas perdeste esse cheiro, esse som, essa visão da liberdade e é tudo o que é válido para começar a ser Homem.  E eu encontro-a em mim, a terra alheia que não existe , deixei foi de a conseguir encontrar em ti. Precisamos todos de uma terra para morrer em paz, a minha, simplesmente, não é a mesma que a tua, sou livre, não quero prender-me a um cemitério comum que guarda o meu nome desde o inicio do mundo.
Ah, lembro-me, este instante único em que se ouve a doce harmonia de viver. Sou livre. Continuo livre.

Saturday, May 12, 2012

Simplicidade

Simplicidade. Queremos todos ser felizes de uma forma que nos faça sentido, que articule correctamente a auto-estima. Caso contrário, é uma terna miséria envolvente que custa a sair, uma prisão dourada decrépita psicológica.
E queremos todos ser importantes. Para alguem, para algo, em algum sentido. Tememos todos a morte, de uma maneira ou de outra, alguns conseguiram ultrapassa-la, epicuristas refinados na sua tese oculta de viver, conscientes ou não. Aprenderam a guardar carinhosamente os pequenos prazeres da vida, sejam eles o que forem. Temos todos de ser um projecto para nos e para os outros, é preciso que alguem aposte em nós naqueles instantes em que  sentimos uma densa empatia pelo cavalo de corrida coxo que está só. Somos esse cavalo. Precisamos que alguem tenha o orgulho a depender da nossa postura.De ser uma inspiração para alguem, meia razão de uma salvação .Bem, pelo menos, algum de nos.
Simplicidade. O básico da essência humana é simples. Procura, encontra, rejubila-se, irrita-se, entristece-se. Ocasionalmente chora, esforça-se por rir o mais frequentemente possivel. Mas nada disto é simples, se procurares o porquê profundo, submerso, terás uma melhor e mais nítida imagem de ti – que é o que verdadeiramente procuras- e pouco mais que isso. Não julgues que é pouco. Já viste tudo o que se torna permitido fazer quando te conheces a ti? Podes rir mais alto, fazer com que a lágrima acalme a tua dor, conhecer o teu semelhante, saber onde erra o mundo, ah! tanta coisa.Simplicidade profunda complexa. É o que falta ao mundo. Acendo o cigarro, ouço música, deixo-me envelhecer numa florida juventude, activo numa aparente passividade sem moralismos, apenas ponderadas ideias que me ficaram da experiência. Pensar.
Simplicidade.

Wednesday, April 04, 2012

Fumar

Porque não preciso dessa densa irresponsabilidade para carregar , docemente, esta loucura. A loucura está em mim não numa qualquer rua perdida entrelaçada numa qualquer noite que, se fores a observar minuciosamente, foi igual a tantas outras.

Tenho todos os vicios que guardo afecto debaixo da pele e os teus vicios eram apenas semelhantes aos meus, não estavam assim tão proximos. Porque os concretizas para calar uma qualquer dor que encontras em ti e tens essa dificuldade cobarde em enfrentá-los no reflexo e eu não. São também a minha vida, parte de minha carne, se não tivesse vicios , viver me não saberia tao bem, é exactamente o momento em que os concretizo e que perco o paraiso espiritual que abraço a paz existencial. Faço-me Homem porque dão-me extraordinárias capacidades, os pequenos vicios. Sinto-me igual aos poetas e aos músicos e aos herois e a todo e qualqer homem comum, somos todos comuns, contrariar isto não é gastar a vida numa boémia linha de pensamento que tende a ser oca. Como tu fazes.

Porque só sou irresponsavel porque sou Homem, está-me no musculo mais inato que existe em meu corpo. Mas porque sou responsavel pelas consequencias que advem, não sou igual a ti. Tenho os meus vicios que são os teus vicios, mas não me orgulho deles, apenas tenho prazer em pratica-los e guardo esse bem-estar na incosciente memória. Tornam-me homem porque sinto a vida.

Tenho o maior vicio de todos, a causa de todos os vicios- tenho o vicio de viver, o mais humana e sabiamente possivel. E , essa, é toda e qualquer diferença que entre nos se instala. Eu sou absolutamente feliz na minha consentida efemiridade.

Tuesday, February 14, 2012

Inovação

Não quero pensar – vou fazer. Há um encanto em viver assim, com a responsabilidade de praticar a liberdade. E eu pensei e a intensidade do meu peito aumentou com a possibilidade e fiz. E fiz-me me Homem assim, ao saborear a vida em cada onda do mar que cheirava ao mundo.
E podes calar-te ou podes insistir em criar ruído – sou feliz no meu melódico silêncio. Amo a música porque é toda a essência que me conheço. E tudo o que desejo é uma morte que me não envergonhe. Só quero saber viver.
Penso quando penso e penso abstractamente quando não penso, penso sem pensar. Penso com toda a sensibilidade artística para o mundo que consigo encontrar em mim.
Por isso mantém-te no silêncio ou persiste no ruído, simplesmente, me não importa. Existo. Bebo a vida e à vida. Sou feliz. A tristeza do mundo é só necessária para ofereceres à arte um encanto humano de tão profundamente sobre-humano. E para aproveitares numa intensidade desenfreada consciente os dias cheios de um Sol que te limpam o espirito de cicatrizes que já não fazem sentido.
Não quero pensar sobre o se , o se é uma porta para um conceito de nada alheio – já fiz. E sou rei de mim proprio.

Tuesday, February 07, 2012

Envelhecer (Parte III)

Ele amava-a, como nao amar? Eram correctamente complementares. A essência do ego era semelhante, a forma de o colocar activamente no quotidiano era contrastante. E ela amava-o, admirava-lhe as cicatrizes, a arte de sobreviveer crua e firme. Inspirava-se nele. E ele via nela uma beleza suave mas forte. Nao havia qualquer fragilidade, ela nao era volátil na sua efemeridade. Podia nao ser uma fonte de inspiração, mas era, sem duvida alguma, um instante reluzente que o fazia sentir-se ele , sem as cicatrizes profundas da sua essência.

Mas nunca lhe reconheceu a elegância do pensamento ou a arte de saber viver modesta e aristocratamente. Nunca lhe reconheceu a astúcia humilde e sensivel que protegiam o ego. E, um dia, o Inverno foi rigoroso, de neve suave, frio desumano. Ela vestiu o seu casaco quente e correu para a neve. Ele entristeceu-se e queixou-se do frio. Ela tentou explicar-lhe o que de tão encantador havia na neve, no frio. Ele disse-lhe que nao queria saber. Disse-lhe que todos temos que crescer um dia, envelhecer. Ela já era demasiado adulta para brincar na neve, devia ganhar consciência de que o frio congela o corpo, de que o Inverno deprime porque é triste.

Mas ela via arte na neve. Deixou de ver foi arte nele. E, por isso, nunca mais o viu

Monday, February 06, 2012

Saber Viver (Parte II)

Ela era algo de novo. Nao que trouxesse consigo uma inteira nova ideia. Nao. A novidade que trazia era a forma como se mostrava firme no amor que dedicava ao seu ego. Mantinha um bom egocentrismo, um bom individualismo que olhava ao colectivo. Ela era algo de novo na forma como articulava o porquê. Trazia consigo o mesmo vento alheio mas dava-lhe um nome diferente. E já nao era um vento comum – era o vento dela.

E sabia apenas só o que sabia, procurava saber mais em todas as esquinas de todos os instantes. Era esguia e aristrocata no pensamento que defendia, jamais dizia tudo o que sabia, jamais a venciam em qualquer duelo facilmente. Dedicava-se sempre a conhecer bem o seu oponente. Ela era melhor porque acrediatava firmemente e sem hesitações que o era. Mas mantinha-se em movimento, em constante renovação, no dia que parasse, deixava de ser autoridade de si própria.

Um dia, o Inverno foi rigoroso, trouxe consigo neve e um frio desumano. Ela vestiu o seu casaco quente e abriu expectante a porta. A neve era suave e amigavel na sua mao. Deixou-se encantar, o pensamento perdeu-se no manto branco. Imaginou. Porque a sua peculiaridade era olhar para o que todos veem e responder a um diferente porquê.

E sorriu. E foi feliz intensamente naquele instante. Em que sentiu a neve na sua pele, na palma da mão . O frio só a incomodou depois. Foi algo de extraordinário. Ela era algo de novo. Mantinha o espirito jovem. Jamais se contentava com um qualquer consolo. Ela desejava ser ela. E via arte em todos os recantos. Viu arte na neve. E foi intensamente feliz naquele instante intemporal.

Falta de Coragem (Parte I)

Ele tinha qualquer coisa de único, o sorriso dele trazia algo de novo aquele sitio cru. Ele era algo de velho, algo que sempre existiu. Mas ele era ele, apenas ele, contra o mundo, porque era uma firme existência. Ele incorporava a velha resistência da inovação perante o conservadorismo.
Nao que soubesse muito de filosofia ou que tivesse um entendimento peculiar com a arte. Era comum, sabia apenas o que sabia e julgava saber tudo o que sabia. Mas a agressividade carismática como se defendia da ignorância que nao reconhecia concedia-lhe um genuíno sorriso de quem procura viver o melhor que sabe. E tinha este encanto, de quem se esforça por sobreviver dignamente, magnificientemente, sem que espere que o esforço, por si só, seja recompensado.
Mas, um dia, o Inverno foi rigoroso, trouxe neve e trouxe um frio desumano. E ele nao sabia filosofia nem tinha um entendimento peculiar com a arte, sentiu-se igualmente triste como se sentiram todos os outros que nao tinham nada de único. Nao foi capaz de ver algo diferente na ideia alheia. Sentiu-se melancólico e só, procurou o conforto onde tinha uma certeza firme de que o encontrava. Porque ele tinha um pensamento genuíno e próprio mas nunca pensava sobre o que nao sabia e nunca se consolou na arte. Procurava ser rei, rei daquele contexto, nunca quis ser rei de si próprio por ter uma essência cicatrizada que nunca sarou inteiramente.
Ele teve qualquer coisa de único. Mas ter é pouco perante ser. E o ser é um longo caminho de escolhas, normalmente, oblíquas e existencialistas. E requer dignidade no seu mais alto ponto e um esguio mas conciso conceito de liberdade que se perpetua na propria existência.
Ele foi algo de único. Até ao dia em que trocou isso por um consolo comum só para ser moderadamente feliz por um instante. E permaneceu nesse momento.
Ele foi algo de único. Já morreu como morre tudo. Morreu infeliz e insatisfeito numa patética procura de se sentir feliz com aquilo que nao desejava. Ele teve algo de único.

Thursday, January 26, 2012

Queda de um Ícaro

A maior tristeza é a de não viver e, se já me preencheu o peito, jamais definiu a essência. Sempre tive a tristeza do fim, da dissolução de um ideal que perdeu força, da quebra do quotidiano e a hesitação da nova oportunidade em chegar. Mas nunca fui triste por não viver, talvez tenha tido a tristeza de não saber viver, que é oposta. Ninguem sabe viver, viver é não saber viver. Sentir qualquer coisa debaixo da pele, um vento fresco ou um sucesso alcançado,o amor ou o fim do amor, qualquer coisa. O importante é sentir, viver é experimentar, hão de existir erros. E hão de existir coisas bem feitas. Recordar as duas é a afirmação de que se está vivo.
Mas nunca tive eu essa tristeza, de não viver, de estático observador da vida que é minha. Errei e corrigi, se me feri, não teve outra hipotese a ferida para alem de cicatrizar , continuei vivo no dia seguinte. Porque estou vivo e quero viver, jamais não vivi. Posso ter vivido mal, escolhido o que era errado ( mas o que é o correcto?) mas escolhi. E vivi. Essa tristeza, meu amigo, não é minha. É tua. A tristeza de não viver ao viver a vida no limite, precisar o pormenor que consola o espirito e generalizar e maximar toda uma excentricidade humana numa boémia ideia que julgas que te esconde e protege do mundo. É uma tristeza que é tua.

Monday, January 16, 2012

Celebração da amizade

A vida não é apenas a tristeza existencial da bélica marca da diferença que traz consigo a dignidade e o brio da inovação ( hoje, vivamos apenas como dois seres que desejam a vida).
Bebamos à vida, à arte de saber viver para alem de existir que está tão entranhada na nossa essência. Sabemos viver, esqueçamos hoje a morte porque não está ela entre nós. Aproveitemos o dia esventrando a essência de se ser feliz na simplicidade luminosa de um discreto e tímido raio de Sol que aquece e ilumina. Porque não estamos sós, a tua solidão acompanha a minha e, o consolo que fica é o conforto da honesta amizade, saúde muscular para a mente e para o espirito.
Esqueçamos, hoje, as intermitências oblíquas da vida, bebamos antes ao acto de viver, bebamos ao prazer de beber, bebamos aos simples prazeres da vida. Bebamos ao gosto de viver em boa companhia. Celebremos a amizade, hoje, e esqueçamos tudo o resto sem deixar de o recorda. Bebamos hoje à verdadeira amizade que se aquece entre nós. Bebamos à vida.

Separação

A existência precede a essência. Talvez um dia me desculpes, há um negro denso trilho onde te perco conscientemente. E sou eu triste , sou eu triste mas essa melancolia me não define, é só um pensamento existencial. Não é uma banal tristeza, não é a tua tristeza, às tantas as palavras esgotam-se na minha garganta e é apenas isso .Há uma alegria colectiva que me entristece por isso me não pertence. Tenho apenas uma aparente tristeza, tu tens uma consentida melancolia existencial, meu amigo, e há um oblíquo caminho no qual te perco.
Porque canto a vida, meu amigo, canto a alegria de viver em cada melodia de cada esquina. Quero o dia cinzento para o sol se alongar mais intensamente no dia seguinte e me prencher Quero a oprtunidade em movimento, a dinâmica do ideal viva em cada pedaço de chão. Nada está cumprido até o ideal chegar e a minha morte é apenas uma certeza da persistência de minha essência. Não é uma existência mórbida ou dramática.
Mas tu, meu amigo, que existência é essa que te move numa ironia aguçada cheia de uma sensibilidade estrutural que não moldas ao teu ego? Findas num destes dias nessa brusca separação entre a agressividade que exprimes e a tristeza que julgas que escondes. Findas num desses dias cinzentos em que eu canto a melodia da adrenalina de viver. Há um oblíquo denso caminho no qual te perco. A existência precede a essência.

Wednesday, December 21, 2011

Ensinamento

Se algum dia compreenderes, a indvidualidade não implica o peculiar e prestigioso sentimento de se ser especial, fundamenta-o. E a dificuldade da vida é o prazer de a viver, precisas de um ego que experimente e que se experimente no mundo para teres uma existência que respire em plenitude.
Se algum dia compreenderes que te compreendo e te não posso desculpar so porque vejo de que cor é a tua dor e qual é a tonalidade da tua essência. Te não posso desculpar por empatia genuína. Um erro é sempre um erro, eu tenho os meus, disciplinei o meu olhar para se tornar optimista e tornar a miséria util, de forma humana honesta , sem dramatismos pateticos. Se algum dia compreenderes que já cresci, já tive esse momento em que afundei a minha melancolia cheia de raiva surda na irresponsabilidade e na loucura.Deram-me a consequencia grave e moribunda de uma causa que não pedi e não mereci, era injusto te-la, era injusto fazer nada. E depois a vida passou por mim porque me droguei no êxtase e, quando a consciência me dominou, procurei a orientação responsavel cheia de uma sabedoria epicurista porque experimentei todas as sensações. Ninguem me levou a sério, era apenas louco e todos os loucos são inconsequentes.
Mas eu vi a tua procura pela mudança, ofereço-me sempre para te ajudar a estabilizar a turbulência da drástica alteração no teu ego. Mas me não mistures com eles só porque não assumo oficialmente que identifico a tua desgraça porque tive uma semelhante. A individualidade não implica especialidade eficiente em ser melhor que qualquer coisa. Ser diferente é apenas ser diferente, és tu que tens de fazer algo excepcionalmente bom com isso. Eu compreendo-te mas já sei quem sou e o lamento não ser.

Tuesday, December 20, 2011

Surrealismo

É o sublime encanto do conto, o prazer de ler uma história. Inspira ao inovar a imaginação, torna possível aquilo que negaste na desilusão de teres tomado como inalcançável. Uma boa história dissolve a realidade na imaginação por ter a arte de focar um instante que não aconteceu mas poderia ter acontecido, de tornar esse instante audivel exacto sem que ele tenha ocorrido, um paradoxo que se torna válido visivel.
E és uma história, mais uma, cheia de um caracter profano quotidiano. Trazes contigo a beleza que conquistaste numa determinada era, o amor é volátil e denso. És um pequeno conto, se ninguem imaginasse que uma especifica ideia se podia instalar, tu não existirias. (Ver-te sem te reconhecer porque me não pergunto sobre o que te move)
E importa pouco se é um final cheio de felicidade ornamentada com mérito e prestígio ou um final com tonalidade triste preenchido por uma lógica incisiva de que tudo é exactamente o que é, ver a restrição da imaginação onde ela mais voa. Liberdade de existir é uma restrição em si. Importa que termine de forma a que faça sentido e movimente uma ideia.
É o suave sorriso do ego depois do conto, deixa-te a pensar. Mas tu tambem és um conto. Os bons momentos foram bons e os maus foram maus, o pragmatismo da realidade é o que lhe permite encanto, não tens de ser objectivo oblíquo , podes imaginar que imaginas.
Eu imaginei-te e só me importa a minha ideia, no final, quero que o conto que és justifique o caminho que quero crer que percorri. Mas oferece-me um final qualquer, entende, o que sempre me atraiu nos contos nunca foi o facilitismo de um fim que me aquece o espirito. O conto aquece a essência humana individual, suporta e sustem e eleva todo o meu ser a um outro nivel.

Monday, December 19, 2011

What a Wonderful World

Eu sou eu, um objecto em dinâmica contínua , parte integrante de um movimento que me altera e que vou alterando, suavemente, na proporção do meu tamanho e da minha relevância. Sou uma ideia que defendo activamente e que me caracteriza enquanto a personalizo, sou a oposição consciente incisiva na corrosão do ideal que desprezo.
E sou uma fonte de erros, de falhas e de incoerências antroplógicas cheias de uma lógica rigorosa ampla e humana porque sou egocêntrico equilibrado no optimismo do reflexo que identifico como meu. Sou uma reserva compactada das inovações que me favorecem ao oferecerem-me um lugar cheio de mérito existencial no mundo. Sou uma essência individualista arrongante, acredito que a minha ideologia tem , pelo menos, tantas hípoteses de estar correcta como qualquer outra.
Eu sou eu, apenas eu e, no final, sou apenas eu , que existe contigo em dinâmica contínua numa rede densa e suave de afectos que se nunca quebrou. Porque sou uma fonte de qualidades que se ornamentaram e que se tornaram mais elegantes no pensamento na coexistência uníssona contigo, desde sempre; sou, em alguns instantes, uma versão diferente de ti ( porque a existência precede a essência).

Friday, December 16, 2011

Desintegração

A interpretação do significado do conceito da palavra que já é uma interpretação em si. A confusão que fica do desentendimento na consciência de que o mundo não é apenas uma estrutura lógica correctamente organizada de forma a fazer friamente sentido. E o que é bom ou o que é mau perde-se na interpretação intimista pessoal dependente de cada experiência vivida.
Perdeste a vida na desintegração absoluta abstracta do porquê e foi assim que existir atingiu o apogeu na tua pele, a experiência após a experiência. Pedirem-te para ignorares o porquê é pedirem-te para não viveres, não há nada de puramente lógico na tua procura da razão inicial, curiosidade sensível da essência humana.
E o que não cabe no porquê é irrelevante, se não compreendes o fundamento matricial é porque o não vês inatamente e ele não te soa real. No final, as coisas são exactamente o que são, consequencias de viver para alem de ser espectador passivo de existir.
Não há sacrificio. Não há uma perda absoluta. A interpretação da palavra é a tua forma de ver o mundo, é o teu olhar, tudo é dinâmico e, se te não compreendem, é porque o teu ego original não é real. Perdes a vida a vive-la no clímax, a tua tristeza e a tua alegria são uma mesma coisa.

Monday, November 14, 2011

Amor II

Daqui sinto o cheiro do mar, tão distante numa proximidade espiritual. Sofri o dia todo na espera cheia de uma obessessão pacifica que a noite acalmasse e enternecesse a essência que é minha e que é do mundo.
Respiro fundo. Cheiro o mar, o som da brisa salgada cola-se aos ombros.Perguntei-me pelo valor de todas as palavras que digo, pronunciei nada porque tudo era artificial sem superficialidade. E o mar estava cinzento no azul aberto claro infinito.
Esperei o dia todo pela paz da noite. Sobraram palavras nenhumas. Até que, enfim, tu chegas.

Amor I

O Amor também é um dogma social desenhado em abstracto. Vejo, quando te olho , aquilo que teria gostado de querer. Nada é real tudo é válido, te não vejo porque não sei se me vejo. Observo, talvez, aquilo que gostava de me ter tornado entranhado enrolado na memória que julgo que te pertence.
E, no entanto, é simples.
Tu cumpriste o destino que era meu e sempre fui demasiado egocêntrico individualista para ver nos teus olhos o meu próprio reflexo. Sou demasiado eu para ser previsivel. Sou demasiado eu para ser narcisista.

Monday, November 07, 2011

Silêncio

Aborrece-me pensar que fecharei os olhos e um novo dia brotará da janela do mundo. Aborrece-me a convenção, talvez tenha uma qualquer dormente dor a oprimir o espirito e, dormir, é assumir que acordarei com ela no amanhã sem saber bem que dor é que me atormenta. Só sinto dormência, invevitabilidade do que é inevitável.
Talvez seja o oposto, há uma felicidade oblíqua inteira no negro da noite, silêncio profundo da minha essência em descanso tranquilo, só o ruído quente da música no vazio. Talvez seja o contrário, sinto-me em felicidade calma cheia de uma excentricidade quase filosófica. Talvez, importa pouco, significa quase o mesmo. Já me disseste tantas vezes que ver luz onde só há negro e encontrar aí a minha triste alegria é patético e mórbido e te já respondi inúmeras vezes que vives numa felicidade saltitante irritante de quem quer pouco da vida e se resigna a ter uma mente pobre e um espirito podre. Não sabes o que fazer ( viver a vida!) enquanto esperas a morte, não sabes existir.
Aborrece-me fechar os olhos e descansar o corpo, não quero a leveza de que a vida continua. Quero a vida em si. Quero o teu silêncio porque te não sabes entreter enquanto vives.

Saturday, November 05, 2011

Desconcerto

O problema em algo subjectivo abstracto, o problema do conceito de elitismo. Não saber ser menos do que se é, não saber reduzir ou simplificar e existir essa necessidade. De tornar tudo mais perceptível, ser um Ícaro experiente que aprendeu a sobreviver às quedas venceu o seu ego, jamais vencerá o Sol, lhe não sobra nada a seguir. Ícaro não quer vencer o Sol, o mundo perderia limites e tem de existir sitio para o amor viver.
Pensar para além do que é visivel, o desfazer do agora e o excessivo aproveitar do momento para a vida não ser gasta em algo, volátil, talvez. Não tornar a ideia superflua e ocamente excêntrica, depois perde-se o fundamento. O desprezo pela vida ao vive-la demasiado e a procura do equilibrio existencial.
Viver é simples, tão simples. E complicamos tanto, interpretar o que não existe para acontecer o que não estava previsto e evoluirmos nas rudes opiniões que se tornam mais elegantes com a inovação reciclável da inteligência (mas somos só Homens). E o desintegrar do conceito aureo de Amor porque tem de se confinar ao lugar fisico onde lhe é permitido respirar para nenhuma parte da vida objectiva ser perturbada. Somos só Homens e nem isso sabemos ser. E o meu pensamento e o meu ser perdem-se no profundo discordar da ideia base fundamental com a qual não consigo coexistir.

Thursday, October 20, 2011

Darwinismo

A suavidade da noite, a memória ténue de uma memória que permaneceu e que é real sem o ser, a mudança contínua constante oblíqua existe sempre quer a vejas quer escolhas ignora-la porque o frio que fica desta consciência é algo que não aguentas. A suavidade da existência, tenho a calma tranquila de quem venceu a guerra porque me assumi uno cheio de dualidades explícitas intimistas nessa batalha que tu , talvez não repares, mas é em nome da evolução.
Porque sempre fui um sobrevivente, fui hábil e flexível estratego em todos os instantes de todas as esquinas das ruas por onde passava e me esquecia o nome. Fui sempre eu e fui eu que permaneceu, firme direito bélico, nessa disputa. Cumpri o destino que escolhi para me oferecerem, sou Homem e não tenho medo nem do proprio medo. Não tenho medo da morte.
E muito menos tenho medo do cinzento macilento da tua essência fraca tísica patética. Sou Homem, tenho duvidas, tenho hesitações, tenho um turbilhão de percepções e sensações e sentimentos dentro de todo o meu ego mas não tenho medo, não desse tipo. Enfrento os meus fantasmas para lhes dar um outro nome e me serem uteis na vida que eu escolho, activamente e conscientemente, viver de forma a que a morte faça sentido e se enquadre naquilo que me define.
A suavidade da noite, venci uma batalha, porque existo e vivo e tenho o mundo na pele, porque vivo. Estou calmo, consciência de ter consciência e consciência de ter sido eu, Homem inteiro divino na sua imperfeição opaca. E tu, que temes tanto para as minhas palavras e a minha certeza de que eu sou eu te enervarem e perturbarem e descontrolarem tanto? (A vida que não sabes viver e a guerra que não tiveste perspicácia na derrota.)