Saturday, June 16, 2007

Mundos Paralelos

"Subitamente encontrou-a . Avançou e recuou um pouco, observando o rebordo. Tal como tinha descoberto na noite anterior, em Oxford, a janela só era visivel de um lado ; quando se dava a volta para o lado de tras, ficava invisível. E o Sol a bater na relva do outro lado da janela era exactamente como o Sol a bater na relva daquele lado, embora inexplicavelmente diferente."
in Torre dos Anjos, Philip Pullman

Friday, June 15, 2007

Cansaço Emocional

Cansaço. É tudo o que sinto. Os musculos quase nao respondem , o cerebro quase nao pensa.
E farto-me desta vida, deste mundo tão efémero, tão fragil . Os exageros e superficialidades da maioria das pessoas exasperam-me. Agridem-me ligeiramente.
So quero que isto acabe, que chegue ao fim. Desejo, ansiosamente, o consolo azul do mar.
Que saudades do tempo em que os jardins estavam cheios de rosas floridas e brilhantes. Abro essa mesma porta e so observo espinhos. A janela que dava para o mar está trancada. Só me resta um leve cheiro à brisa marinha.
Cansaço. Só me resta o cheiro do mar. É tudo o que sinto.

Thursday, June 14, 2007

Metáforas

"Não tenho mais metáforas
para ti
Já experimentei o silêncio;
a trizteza dos meus olhos.

Onde estás?Onde vives?
Pensava que estavas aqui.
Dantes tinhas medo que eu
fosse embora
Hoje és tu quem está longe.

Não tenho mais metáforas
Vou ter de usar as palaras
exactas.
Dantes existias para me
poupar a isso"

Poema de Lúcia Barão

Tuesday, June 12, 2007

Matemática e poesia

"Andamos em voltas rectas
Na mesma esfera,
Onde ao menos nos vemos
Porque o fumo passou."

Excerto de Laços, Toranja

( homenagem a Alice)

Friday, June 08, 2007

Optimismo

"Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós , e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado"

Goethe

Wednesday, June 06, 2007

O Fim

O rapaz sentou-se na mesa da rapariga. Não se cumprimentaram.
Quando o empregado chegou, ele pediu um café com chocolate e natas. Ela riu-se, trocista. Disse que ele era estranho, que fazia questão de ser diferente. Homem exibicionista, tinha de começar a considerar ser como o resto das pessoas, enveredar pelo caminho certo. Ele suspirou, enquanto a jovem- mulher continuava a sua crítica aparentemente instrutiva.
Após deixar a rapariga acabar o discurso, o jovem recorrendo à réstia de amor que –lhe tinha, falou. E sentiu, com um arrepio frio, que era a última vez que lhe falava, quando referiu que existiam caminhos melhores que outros, mas não existiam caminhos certos. Que se ela reparasse mais nas pessoas perceberia que ninguém è igual a ninguem.”Somos todos diferentes. Alteramo-nos nos nossos pormenores.”- tentou o rapaz.
Mas a rapariga, inflexível nas suas ideias e atitudes, riu-se com um olhar ainda mais trocista. O rapaz suspirou e saiu do café com um ar indiferente – tinha esgotado a última réstia de amor. Saiu como entrou: só. Não disse Adeus a ninguém. Não era preciso. As únicas coisas que partilhavam eram o conhecimento de que o fim da relação deles seria duro , quase como uma anestesia, e a não necessidade de dizer Adeus – já tinham feito isso muito antes de ele entrar no café . Há detalhes nas pessoas que o amor pode não suportar.
Na verdade, limitou-se a caminhar calmamente para a saída. O amor chegara ao fim.
WinGs

Tuesday, June 05, 2007

Mentiras

A vida é, por vezes injustiça. Geralmente, apenas por um curto espaço de tempo.
Sim, há momentos em que nos sentimos injustiçados, em que o nosso valor e aldrabado e manipulado. O valor, o valor... Que é uma coisa objectiva, matemática até: ou é ou não é, isto é, não há meio termo.
Mas, há, as vezes , em certos casos. O valor é manipulado, aldrabado. Oh se é!
Mas o nosso valor - o que nos somos, mais concretamente - é inegável e não pode ser ignorado ou modificado. Uma ilusão é sempre uma ilusão. Somos sempre nós, temos sempre o nosso valor, que aumenta e diminui conforme as nosas acções. Não conforme as vontades e as simpatias dos outros.
Como a ignorância é eterna!... E "Uma mentira, mesmo que a digam milhares de bocas, não deixa de ser uma mentira"

Monday, June 04, 2007

Quero ser Cobarde

Quero fugir, quero ser cobarde. Desde que sai daqui, deste sítio que conheço de cor, que viu o melhor de mim e o pior de mim... Quero partir, quero sair. Mas não, não quero mudar.é so mesmo vontade de ceder á cobardia de voltar as costas.
É uma lástima que te tenha de enfrentar mais cedo ou mais tarde, porque senão, acredita , fugirira. De qualqer forma, o que é cobardia, vontade de assumir que se quer fugir ou fugir efectivamente?
Quero ser cobarde... mas não consigo...é uma lástima...seria a minha unica acção corajosa.

Thursday, May 31, 2007

Aula

A aula? Um tédio.
Bocejo. Aceno. Olho para o livro. Controlo o relógio.
Penso no fim da aula, no fim da tarde. No fim disto, deste tempo. A alma esboça um sorriso sarcástico: sabe que o fim está muitissimo longe. E hoje, inevitavelmente, não está um dia de sol.
Respiro fundo. Bocejo mentalmente. Passaram dez minutos (só?!?). Escrevi um texto. Tanto que aínda falta!...
Chegará ao fim, a aula, eu sei. Mas até lá, espera-me o infinito.
Enfim, passaram mais cinco minutos.

Tuesday, May 29, 2007

Pensamentos

Espero. E o tempo que espero provoca-me rugas profundas no rosto, no espírito.
Gostava de não ter de estar aqui, à espera. O correcto prende-me inevitavelmente à cadeira da secretária. Tanto que daria para ser livre, para estar noutro sítio mais apetecível . Os meus olhos vão-se cansado, sem que se fechem. Não estão autorizados. Tanto que daria para estar longe..
Mas contínuo à espera. O sono e o cansaço vão- me anulando, aos poucos. Mas nunca tanto como esta espera rídicula. Esta espera impotente, que será derradeiramente inútil. Eu sei.
No entanto, permaneço aqui. Agarrada à hípotese minuscula de poder resultar. De a espera poder ser útil.
Como sempre, como todos nós. Agarramo-nos sempre a hipotese positiva. "A esperança é um empréstimo que pedimos à felicidade"
E continuo à espera.
De quê?

Sunday, May 13, 2007

O grande Oscar Wilde

"Os parentes não passam de uma tediosa matilha de pessoas que não têm a mínima noção de como viver , nem a mais remota percepção de quando oportunamente morrer"

Oscar Wilde

Friday, May 11, 2007

Confusão

Hoje não me apetece escrever. Mas, simultaneamente, quero: sinto o sol em mim. Estou dinâmica. Queria dizer tudo, falar sobre o universo infinito!Mas a vida é tão simples e tão bela assim. Escreveria sobre o quê?O Mar, sempre belo e periogoso, no seu azul imenso?Ou talvez sobre o amor, sentimento grandioso que nos muda a nós e transforma a nossa vida. Sobre a vida efémera?
Não. Nao sei sobre o que escrever. E la esta, Fernando Pessoa outra vez: escrevi sobre a minha incapacidade de escrever.
E tanto qe eu tinha para dizer...

Thursday, May 10, 2007

Nós

'All we are is dust in the wind'
E é isto que às vezes - sò às vezes! - somos : algo muito efémero e fragil. Algo tao facil de destruir e ignorar... Enfim, dust... demasiado pequenos para um universo tao grande, demasiado ignorantes para um mundo tao complexo ...

Um obrigado à Nádia por me ter "emprestado' a frase que ela própria criou

Sunday, May 06, 2007

Aos Amigos

Um amigo "é alguém com que se pode pensar em voz alta." Às vezes a nossa ultima instancia;a nossa ultima viagem. Falo de amigos a sério, claro. Amizades áureas e duradoras. Não daquelas que se encontram ao virar da esquina. Refiro-me exactamente à aceitação das diferenças entre um e outro, à partilha da dor e da alegria e à inter-ajuda. Numa amizade reluzente está ímplicito um sentimento bom e puro, muito banal superficialmente (quem não diz palavras bonitas sobre a amizade?) e muito raro quando apreciado profundamente. Amizade implica o uso da moral e da lealdade.
E sim, efectivamente a maioria das pessoas não tem amigos- tem, antes, relações de conveniencia.
À Beatriz
WinGs, Maio 2007

Saturday, May 05, 2007

Raiva Fria

Não vês?Não consegues visualizar o rídiculo que és? Um palhaço triste de alma presunçosa e coração ocioso... só que queria que te visses! Não digo para te pareceres comigo - serias um tipo diferente de palhaço triste. Só peço que pares de tentar mudar-me. É pedir muito? Talvez. Se ao menos visses quem és... Perguntas-me se vejo quem sou. Hesito. Talvez não me veja. Talvez não saiba.
Mas de qualquer forma, não sou como tu. É já um começo...
Wings

Monday, April 30, 2007

G.O.D.

Às vezes quase que ainda te sinto na minha consciência. Nos momentos frágeis , claro. Só nos momentos mais frágeis. És cobarde, até nisso. Fazes-te apenas sentir nos momentos mais vulneráveis.
Mas enfim, nunca te senti verdadeiramente. Porque nunca te vi mesmo. Nunca te ouvi concretamente. A tua voz sempre foi a minha; a tua sabedoria era a minha sensatez. Nunca, na verdade, exististe. Para mim. Nunca acreditei. Foi só fraqueza. Mas as vezes voltas... dos recantos da consciencia, da alma...Para là da solidão e da sombra.Da cobardia e do fracasso. Voltas! Da onde, se não existes?Nunca exististe!
E só fraqueza. Fecho os olhos e vais embora. Até que enfim. Es só um consolo imaginário que eu crio.Enfim fico só. Prefiro a solidão.

Thursday, April 12, 2007

Mar

O mar, o mar... Ouço-o na minha cabeça. Vezes incontáveis. O som das ondas. Sempre dentro de mim. Sempre permanente na minha memória, mas de uma forma reconfortante.
E o cheiro das ondas, da espuma branca como a neve...Sim, também o cheiro. Nada cheira tão bem como o mar. Nada possui um um aroma, uma fragrancia tão agradável e envolvente. Se pudesse fotografar o cheiro, ou guardá-lo num frasco para nunca o perder, para ficar sempre comigo...
Que saudades do mar!Do azul infinito. Da beleza infinita.
Do perigo infito.

Saturday, April 07, 2007

Fantasma da Ópera

Nem sempre a Bela prefere o Monstro. É um facto tão cruel como triste - talvez mais melancolico e triste do que cruel. A maior parte das pessoas é triste: o plano exterior è determinante, o plano interior secundário. Por vezes, torna-se dificil olhar a beleza por detrás da fealdade.

Hoje estreou O Fantasma da Ópera na televisão. Um filme triste. Christine, a protagonista, troca a música do fantasma,a voz bela do fantasma, o amor estranho do fantasma por Raoul, um ser perfeitamente comum. A Bela não conseguiu preferir o Monstro. Instintivamente, cometo o erro de dizer que todos os que se deixavam amedrontar e horrorizar pela metade da cara defeituosa do Fantasma da Opera , tinham a alma mais distorcida que a cara dele. É inevitavel. É um erro permanente. Meu e deles. Eles porque julgam e importam-se demasiado com o exterior, menosprezando o interior; incapazes de ver tanto a genialidade como o homem por detrás do Monstro. E meu porque chamo, incosncientemente , à Bela-Christine , insensivel.

Nem sempre a Bela prefere o Monstro...

Friday, April 06, 2007

Viagens

Viajar...é deixar a alma fugir. Para depois apanhá-la de novo. E então ela conta-nos o que viu.
Viagens espirituais são agradaveis.Mas não há nada como experimentar os sentidos: ver! Fugir com a alma, partilhar informação com ela... Sensaçao unica, a de quebrar rotina, alargar horizontes.Fisicamente.Mentalmente. Sair do país de origem é como abrir a janela de manhãzinha e deixar o sol entrar.Como olhar o mar. É uma sensação unica. Que nos faz crescer.Mas que nos faz sentir a criança adormecida que continuamos a ser.Que crianças que somos!

Sunday, April 01, 2007

Aula de Guitarra

Tocar guitarra. Ou piano.Qualquer isntrumento.Uma experiencia unica.Maravilhosa.Encantadora.
Sinceramente, não há palavras para descrever. Alias, a beleza, a verdadeira beleza, não é expressável, é sentida, interiorizada; amada. Quando se ouve música, somos preenchidos por dentro, como se tivessemos sido incompletos ate entao.Como se abrissemos a porta para aquele jardim tão inesplicavelmente maravilhoso que nos faz sorrir a alma.
Música é uma sensação unica de felicidade. Um mundo sem música é o meu mais profundo pesadelo. Tudo tem um som, ate o silencio. E so a melodia da musica supera a melancolia do silencio em momentos de tristeza. Se for tocada por nós, é mais pessoal.
Passar a mão pelas cordas da guitarra e sentir o som... O paraíso!